PF prende 18 pessoas por desvio de recursos do MEC
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quinta-feira, 08 de agosto de 2013
Mariana Franco Ramos<br>Equipe do Bonde 
A Polícia Federal (PF) prendeu ontem 18 pessoas acusadas de desviar pelo menos R$ 6,6 milhões do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Estado do Paraná (IFPR), com sede em Curitiba, através de duas Oscips (Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público). Desencadeada em conjunto com a Controladoria Geral da União (CGU), a Operação Sinapse cumpriu ainda dez mandados de condução coercitiva (quando a pessoa é forçada a depor na delegacia) e 43 de busca e apreensão, expedidos pela 2ª Vara Federal Criminal. A PF apreendeu 24 veículos em posse dos acusados, sendo três de luxo. Cerca de 200 policiais federais participaram da operação, na capital paranaense e nos municípios de Cascavel (Oeste do Paraná), São Carlos (SP) e Sorocaba (SP).
De acordo com o titular da Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros da PF, Felipe Hidio Hayashi, as investigações começaram em março de 2012 e o dinheiro desviado seria proveniente principalmente do Ministério da Educação (MEC). "O IFPR firmou termos de parcerias com duas Oscips e, por meio desses termos, eram desviados recursos em inúmeras práticas, desde superfaturamento até destinação a empresas de fachada, que não efetivamente prestavam os serviços. Identificamos também que esses recursos retornavam a funcionários públicos, através de propinas", contou. Para mascarar os crimes, o grupo teria falsificado contratos e prestações de contas. A reportagem não conseguiu contato ontem com integrantes das duas Oscips Abedesi e Ibipotec.
Segundo Hayashi, as Oscips aproveitavam o fato de não serem submetidas à Lei de Licitações para direcionar a contratação de empresas que de alguma forma estavam vinculadas a elas. No mesmo período, o grupo teria ainda conseguido que alguns de seus integrantes fossem contratados pelo IFPR de forma fraudulenta. "Evidências colhidas pelo Tribunal de Contas da União mostraram indícios de que esses investigados ingressaram em concursos públicos no instituto e, dessa forma, passaram a ocupar cargos efetivos", completou. Dos 18 detidos, três trabalhavam no IFPR.
O chefe regional da CGU no Paraná, Moacir Rodrigues de Oliveira, explicou que o desvio de recursos públicos pode ser ainda maior. "Dos R$ 43 milhões repassados ao IFPR e aplicados, temos a comprovação de que R$ 6,6 milhões foram desviados, mas essa é uma avaliação conservadora", afirmou. Segundo ele, outros R$ 11 milhões que seriam executados pelas Oscips já foram suspensos, por meio de medida cautelar, e as investigações prosseguem.
Os envolvidos devem responder pelos crimes de formação de quadrilha, peculato, corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro, estelionato e descumprimento à Lei de Licitações.


