A Polícia Federal prendeu, até o final da tarde, 16 pessoas acusadas de envolvimento em fraudes na liberação de recursos da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), nos Estados de Tocantins, Mato Grosso e Pará. O empresário José Osmar Borges, considerado o maior fraudador da Sudam e acusado de ter desviado R$ 133 milhões do órgão, teve a prisão preventiva decretada, mas até o início da noite não havia sido preso.
Entre as pessoas detidas ontem estão José Soares Sobrinho, Pedro Antônio da Silva Sobrinho e Sebastião José Soares, que podem ter ligações políticas com o presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA). Em Brasília, foi preso o empresário Alberto Coury Junior, um ex-colaborador da Polícia Federal.
Outras 11 pessoas, com prisão preventiva decretada, estavam sendo procuradas em várias partes do País. A PF apreendeu documentos, computadores e cópias de cheques que estavam em poder dos suspeitos. A megaoperação, planejada desde a semana passada, foi iniciada na madrugada de ontem no Pará, Tocantins, Mato Grosso, Amazonas, Goiás e São Paulo. Às 23 horas de domingo, a Justiça Federal do Pará, Tocantins e Mato Grosso passou a expedir os mandados de prisão, que começaram a ser cumpridos às 6 horas da manhã de ontem.
Dos 16 presos, pelo menos 9 eram do Pará. Entre os funcionários da Sudam estão os engenheiros Armando Luiz Soares, Ronaldo Pamplona e João Neponucemo, que eram fiscais da autarquia. O contador Carlos de Souza Figueiredo, que trabalhava no Departamento de Avaliação e Controle (DAC), o ex-diretor do DAC Paulo Roberto da Costa Neri e o economista Angelo de Almeida, do mesmo departamento, também estão presos em Belém. O comerciante Clodoaldo de Abreu Arruda foi preso em Altamira, no Sudoeste do Pará.
Pela manhã, os agentes da PF em Belém estiveram nos escritórios do empresário Geraldo Pinto da Silva, dono da GPS & Companhia Ltda., e da ex-funcionária da Sudam Maria Auxiliadora Barra Martins, proprietária da AME Consultoria. Esses escritórios são especializados na venda de projetos para clientes da Sudam. A prisão deles não foi confirmada.
Segundo fontes da PF e do Ministério Público Federal, uma nova lista de presos poderá ser divulgada hoje, depois da reunião entre os procuradores da República de Tocantins, Mário Lúcio Avelar; do Amazonas, Sérgio Lauria; de Mato Grosso, Pedro Taques, e do Pará, Ubiratan Cazzeta, quando será anunciada uma série de medidas relacionadas às fraudes da Sudam.
Para evitar vazamentos, como ocorreu com parte da gravação da escuta telefônica feita com 20 suspeitos, a PF designou um delegado especial de Brasília para continuar as investigações. Além disso, colocou uma equipe da Divisão de Repressão à Entorpecentes (DRE) para efetuar as prisões. Durante um tempo, monitorou alguns dos suspeitos até que as prisões fossem decretadas.
Na reunião de hoje, os procuradores deverão estar com informações sobre o sigilo fiscal de diversos proprietários de projetos. A partir daí, será feito um cruzamento para averiguar se mais de uma pessoa tem relação com empreendimentos em outros Estados, uma hipótese quase provável, segundo os integrantes do Ministério Público Federal. ‘‘A Receita Federal já tem uma relação feita, e será a partir disso que vamos trabalhar em outras área’’, afirmou o procurador Sérgio Lauria.
Segundo Lauria, um dos procedimentos que os procuradores devem tomar hoje será uma ação conjunta para impedir que a Sudam continue liberando recursos para projetos suspeitos de irregularidades, como vem ocorrendo no Amazonas.

mockup