As investigações das denúncias de irregularidades na prestação de contas da campanha à reeleição do prefeito de Londrina, Nedson Micheleti (PT), poderão ser retomadas ainda esta semana. Ontem o cartório da 41 Zona Eleitoral encaminhou o processo - que une os dois inquéritos instaurados pela Polícia Federal (PF) - ao delegado Kandy Takahashi. Até o final da tarde de ontem, o delegado ainda não havia recebido os inquéritos. Segundo Takahashi, o processo deveria estar no setor administrativo da delegacia.
Conforme a promotora da 41 Zona Eleitoral, Édina Maria de Paula, as investigações de que a campanha petista de 2004 teria custado R$ 5,2 milhões a mais do que os R$ 1,3 milhão declarados como despesas à Justiça Eleitoral, serão retomadas do ponto onde foram suspensas, no dia 22 de setembro de 2005. ''Todas as manobras recursais que o PT tentou foram perdidas. O procedimento agora está voltando a funcionar exatamente do ponto em que ficou parado, quando o advogado do PT apresentou recursos no TRE (Tribunal Regional Eleitoral)'', disse. ''O juiz concedeu 60 dias para as diligências do Ministério Público. Agora vamos ver se deixam investigar'', complementou.
Para a promotora, os onze meses em que as investigações ficaram paradas devido a sucessivos recursos judiciais ajuizados pelo diretório municipal do PT, significam prejuízos à investigação. ''Nesse período algumas provas que poderiam ter sido colhidas no calor da investigação podem ser ter sido destruídas'', avaliou ela.
O advogado do PT, João dos Santos Gomes Filho, alertou que caso as investigações sejam retomadas com base na lei 9100/95, que estaria extinta, deverá recorrer novamente ao Judiciário para suspender o inquérito. ''Impetrei um habeas corpus que diz que o prefeito não pode ser investigado. A única coisa que não ganhei é que o TRE entendeu que, apesar do inquérito ter se embasado em portaria equivocada, isso pode ser consertado, mas tem que ser consertado antes de ser retomado. Se começar a investigação com a portaria que tem, é outro habeas corpus que eu impetro.''
Gomes Filho ainda contestou a retomada das investigações a dois meses das eleições. ''Se eu já arrazoei o recurso, por que não se aguarda a decisão? É uma investigação política. Tenho muito respeito pela promotora mas, neste caso, ela está errada. O que vai acontecer se aguardarmos o término da eleição? Não há materialidade, não há um tostão apreendido'', argumentou. O advogado ainda tenta em um habeas corpus ajuizado em março, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o trancamento definitivo dos inquéritos
Nos dois meses da investigação conduzida pelo delegado Kandy Takahashi foram cumpridos quase 40 mandados de busca e apreensão e tomados vários depoimentos de pessoas que teriam prestado serviços para a campanha petista. Em 30 dias de trabalho, um relatório parcial apontou que cerca de R$ 135 mil de gastos não teriam sido declarados à Justiça Eleitoral.

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