Curitiba - O promotor eleitoral Valclir Natalino da Silva solicitou ontem à Polícia Federal (PF) que indicie criminalmente as pessoas que teriam cometido crime eleitoral na campanha à reeleição do prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL), em 2000. O promotor baseou seu pedido nas declarações do delegado que investiga a existência de um caixa 2 na campanha do PFL, Hugo Corrêa Martins, que afirmou, anteontem, que existem indícios da realização de crime eleitoral no caso.
O promotor também pediu que a PF elabore um relatório parcial das investigações que foram conduzidas desde fevereiro deste ano, além de pedir vistas dos volumes que compõem o inquérito policial. ‘‘É fundamental que a promotoria tenha acesso a esses documentos para que seja analisado se é caso ou não de formular uma denúncia’’, afirmou Natalino da Silva.
Caso a existência de um caixa 2 na campanha de Cassio venha a ser ratificada pelo relatório da Polícia Federal, o prefeito corre o risco de ser alvo de três ações distintas. Além de responder a um processo criminal, Cassio pode ter seu mandato cassado por abuso de poder econômico. Por ter foro privilegiado devido ao cargo que ocupa, o prefeito responderia a ação no Tribunal Regional Eleitoral (TRE).
Além destes dois processos, um recurso impetrado pelo próprio Natalino da Silva que tramita no TRE desde novembro do ano passado pode retornar à pauta do órgão. O promotor pediu que fosse anulada a sentença do juiz eleitoral que considerou válidas as contas apresentadas pelo comitê do PFL à Justiça Eleitoral. A sentença foi proferida um dia após as denúncias da existência de irregularidades na campanha de Cassio chegarem à imprensa.
A apresentação de denúncia contra o prefeito não siginifica o fim das investigações da PF. O delegado Hugo Corrêa Martins pretende tomar o depoimento de todas as pessoas que assinaram recibos e notas fiscais de prestação de serviços à campanha de Cassio. Os documentos contábeis foram coletados pelos promotores do Centro de Apoio às Promotorias de Proteção ao Patrimônio Público Criminal durante três meses de investigações. Segundo os promotores que realizaram as diligências, o PFL teria utilizado cerca de R$ 17 milhões na campanha de Cassio, tendo prestado contas de apenas R$ 3 milhões.

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