PF pode entrar no caso Celso Daniel
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domingo, 14 de dezembro de 2003
Fabio Diamantee Fausto Macedo<br> Agência Estado 
São Paulo - O Ministério Público Estadual (MPE) vai pedir à Polícia Federal (PF) que participe da investigação sobre a suposta ligação do empresário Sérgio Gomes da Silva - preso acusado de ser o mandante do assassinato do prefeito de Santo André Celso Daniel (PT) - com João Arcanjo dos Reis, o Comendador, acusado de liderar o crime organizado em Mato Grosso. Os promotores querem que a PF tome o depoimento de uma testemunha que afirmou, em uma carta, ter presenciado encontros entre Gomes e o Comendador - que está preso no Uruguai.
A suspeita é vista pela defesa de Gomes como ''mais uma fantasia'' do MPE. ''É com base em provas como essa que o Sérgio está preso'', disse o criminalista Roberto Podval, um dos defensores do empresário. Os promotores do Grupo de Atuação Especial Regional para Prevenção e Repressão do Crime Organizado (Gaerco) de Santo André juntaram à investigação contra Gomes - remetida ao juiz Luiz Fernando Migliori Prestes, da 1 Vara Judicial de Itapecerica da Serra - uma carta enviada ao MPE pelo Programa Estadual de Proteção à Testemunha (Provita) de São Paulo.
A carta manuscrita, datada em 23 de setembro, chegou às mãos do coordenador técnico do Provita, Douglas de Assis, por meio de uma das testemunhas que incriminam Gomes e é mantida sob proteção. O coordenador enviou o documento ao promotor Roberto Wider Filho - um dos subscritores da denúncia (acusação formal) e do pedido de prisão preventiva de Gomes.
Na carta, a mulher diz que trabalhou ''na casa do Arcanjo, de cozinheira de bife (sic) das festas''. Em seguida, ela afirma: ''Nas mesmas festas conheci o senhor Sérgio Gomes''. No trecho seguinte: ''Eu ouvi entre os funcionários que o senhor Sérgio Gomes estava planejando um assassinato de uma pessoa importante do meio político que o nome se dizia Celso Danil (sic).''
Ainda segundo a testemunha, o Comendador - condenado a sete anos de prisão por porte ilegal e receptação de armas - seria o responsável pelo sumiço de seu irmão, que se chama Acácio Marques dos Reis. Ele trabalhava para o Comendador, segundo a carta, ''em serviços gerais''.
Na mesma carta, a mulher afirma que conheceu o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, que participaria das reuniões com Gomes nas festas no bufê do Comendador. O empresário já negou publicamente a afirmação e garantiu nunca ter estado com Palocci nem com o Comendador. ''O que o Sérgio sempre disse para nós é que isso não existe e que ele não conhece o Arcanjo e o Palocci'', disse Podval.


