O delegado da Polícia Federal (PF) em Londrina, Sandro Roberto dos Santos, poderá instaurar inquérito policial contra o Banestado/Itaú por crime de desobediência. Isso porque a institutição bancária teria até o dia 26 deste mês para encaminhar ao delegado cópias de cheques e ordens de depósito de 29 contas fantasmas que estão sendo investigadas pela polícia. A documentação, porém, não havia chegado até ontem.
‘‘Em tese, já há comprovação técnica da existência do crime’’, afirmou o delegado. ‘‘Desde que foi encaminhada uma certidão através de um oficial de Justiça, houve a ciência do responsável legal pela instituição bancária. Como ele não atendeu, já deixa explícito a intenção de desobedecer uma ordem judicial’’. Segundo Santos, o mandado judicial determinando o envio da documentação foi recebido no dia 11 pelo gerente Mário César Cobianchi, de Londrina.
Santos deverá solicitar certidões no cartório da delegacia e da Vara Criminal Federal para formalizar o não recebimento dos documentos. ‘‘Será realmente instaurado o inquérito policial a partir do momento que tenhamos a instrução do procedimento através das certidões’’, disse.
Segundo Santos, os primeiros pedidos – não atendidos – pelo Banestado foram feitos em fevereiro de 2000. A demora do banco estaria dificultando a investigação. ‘‘Toda análise bancária que será realizada nesses inquéritos serão com base nesses documentos’’, observou. ‘‘Acredito que cerca de 70% já estejam entranhadas nos autos, todavia, os principais, ou seja, cópias dos cheques, dos docs, para identificarmos os depositantes dessas contas, até o hoje o Banestado não encaminou um documento sequer’’, advertiu o delegado.
Santos disse que o pedido ao banco era reiterado todos os meses. ‘‘Tendo em vista o não recebimento, o não atendimento ou sequer um pronunciamento do Banestado com relação à entrega ou não, foi novamente feito uma solicitação de ordem judicial’’.
A assessoria de imprensa do Banestado/Itaú, em Curitiba, informou que a documentação solicitada foi encaminhada no último dia 24. No entanto, não soube informar para quem foi enviada. A assessoria argumentou que o banco sempre atendeu todas às solicitações da Polícia Federal enviando documentação. Quanto à demora na remessa dos documentos, a assessoria alegou que tinha dificuldades operacionais e que solicitava prorrogação do prazo ao delegado.
Ao todo, são 37 inquéritos instaurados pelo delegado – um para cada uma das 37 contas fantasmas abertas nas agências do Banestado em Londrina, Ibiporã e Cambé. Juntas, elas teriam movimentado mais de R$ 150 milhões entre maio de 98 a janeiro de 99.
O empresário e doleiro Alberto Youssef é apontado como principal responsável pelas contas. Em dezembro do ano passado, Youssef, o seu cunhado, Antonio Neri Romero e o ex-servidor municipal João Edson Danzinger tiveram a prisão preventiva decretada devido ao depósito de R$ 127 mil na conta da empresa fantasma Freitas & Dutra. O dinheiro teria sido desviado da Prefeitura de Londrina através de licitações fraudulentas. Youssef chegou a ficar preso 19 dias em dezembro e mais nove dias em abril deste ano.

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