PF pode abrir inquérito contra Banestado
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terça-feira, 31 de julho de 2001
Cristiane Oya<BR>De Londrina 
O delegado da Polícia Federal (PF) em Londrina, Sandro Roberto dos Santos, poderá instaurar inquérito policial contra o Banestado/Itaú por crime de desobediência. Isso porque a institutição bancária teria até o dia 26 deste mês para encaminhar ao delegado cópias de cheques e ordens de depósito de 29 contas fantasmas que estão sendo investigadas pela polícia. A documentação, porém, não havia chegado até ontem.
Em tese, já há comprovação técnica da existência do crime, afirmou o delegado. Desde que foi encaminhada uma certidão através de um oficial de Justiça, houve a ciência do responsável legal pela instituição bancária. Como ele não atendeu, já deixa explícito a intenção de desobedecer uma ordem judicial. Segundo Santos, o mandado judicial determinando o envio da documentação foi recebido no dia 11 pelo gerente Mário César Cobianchi, de Londrina.
Santos deverá solicitar certidões no cartório da delegacia e da Vara Criminal Federal para formalizar o não recebimento dos documentos. Será realmente instaurado o inquérito policial a partir do momento que tenhamos a instrução do procedimento através das certidões, disse.
Segundo Santos, os primeiros pedidos não atendidos pelo Banestado foram feitos em fevereiro de 2000. A demora do banco estaria dificultando a investigação. Toda análise bancária que será realizada nesses inquéritos serão com base nesses documentos, observou. Acredito que cerca de 70% já estejam entranhadas nos autos, todavia, os principais, ou seja, cópias dos cheques, dos docs, para identificarmos os depositantes dessas contas, até o hoje o Banestado não encaminou um documento sequer, advertiu o delegado.
Santos disse que o pedido ao banco era reiterado todos os meses. Tendo em vista o não recebimento, o não atendimento ou sequer um pronunciamento do Banestado com relação à entrega ou não, foi novamente feito uma solicitação de ordem judicial.
A assessoria de imprensa do Banestado/Itaú, em Curitiba, informou que a documentação solicitada foi encaminhada no último dia 24. No entanto, não soube informar para quem foi enviada. A assessoria argumentou que o banco sempre atendeu todas às solicitações da Polícia Federal enviando documentação. Quanto à demora na remessa dos documentos, a assessoria alegou que tinha dificuldades operacionais e que solicitava prorrogação do prazo ao delegado.
Ao todo, são 37 inquéritos instaurados pelo delegado um para cada uma das 37 contas fantasmas abertas nas agências do Banestado em Londrina, Ibiporã e Cambé. Juntas, elas teriam movimentado mais de R$ 150 milhões entre maio de 98 a janeiro de 99.
O empresário e doleiro Alberto Youssef é apontado como principal responsável pelas contas. Em dezembro do ano passado, Youssef, o seu cunhado, Antonio Neri Romero e o ex-servidor municipal João Edson Danzinger tiveram a prisão preventiva decretada devido ao depósito de R$ 127 mil na conta da empresa fantasma Freitas & Dutra. O dinheiro teria sido desviado da Prefeitura de Londrina através de licitações fraudulentas. Youssef chegou a ficar preso 19 dias em dezembro e mais nove dias em abril deste ano.


