PF pede prisão preventiva de 11 da 'máfia do jogo'
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terça-feira, 12 de junho de 2007
Fausto Macedo, Ricardo Brandt e João Naves<BR>Agência Estado 
Campo Grande - A Polícia Federal pediu ontem à Justiça a decretação da prisão preventiva de 11 acusados de envolvimento com a máfia dos caça-níqueis, mas recuou diante de duas pessoas muito próximas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva - seu irmão mais velho, Genival Inácio da Silva, o Vavá, e o empresário Dario Morelli Filho, compadre do presidente.
No início da Xeque-Mate, que mira exploração de jogos de azar, a PF pediu a prisão temporária de Vavá, o que foi negado pela Justiça Federal de Campo Grande. A PF enquadrou Vavá pelos crimes de tráfico de influência e exploração de prestígio. Ontem, à Justiça, a PF não renovou o pedido de prisão contra Vavá.
Morelli foi capturado em seu apartamento, na cidade de Diadema (Grande São Paulo), na manhã do dia 4. Ele é acusado de fazer parte de sociedade que explora o bingo. Continuava preso até ontem à noite, em regime temporário. Formalmente, a PF enquadrou o compadre do presidente pelos crimes de quadrilha, contrabando e falsidade ideológica.
Morelli foi flagrado pelo grampo telefônico em conversas com os principais suspeitos da Xeque-Mate. Ele também foi avisado antecipadamente sobre a operação deflagrada pela PF, conforme mostram os grampos. No dia 16 de maio, às 12h35, Morelli liga para Nilton Servo - ex-deputado estadual e suposto chefe da máfia - e diz que precisa conversar sozinho com ele, porque ''deu um pepino feio''. Servo pergunta: ''É comigo?''. Ele responde que não sabe e ''precisa ver''.
Milton Fernando Talzi, advogado de Morelli, disse que o empresário não foi incluído no topo da organização. ''Não há nenhuma prova de que Morelli tenha envolvimento com atividades ilícitas.''
A PF atribui a ele sociedade em uma casa da máquinas caça-níqueis, a Deck Vídeo Bingo, aberta em nome de um laranja, além da prática de corrupção ativa. Morelli atuaria corrompendo policiais para facilitar os negócios ilícitos do grupo.
A PF pediu a prisão em regime preventivo de Nilton Servo, apontado como o líder do grupo. Servo está preso há 10 dias. Dos outros 11 que a PF quer manter na cadeia, 9 já estão detidos. Dois estão foragidos.
O pedido de prisão, subscrito pelo delegado Alexandre Custódio, foi protocolado à tarde na 5 Vara Criminal da Justiça Federal de Campo Grande. O juiz Dalton Conrado deve decidir sobre o requerimento policial.


