Belo Horizonte A Polícia Federal começou a ouvir ontem, em Belo Horizonte, depoimentos de suspeitos de participação na montagem do caixa dois da campanha do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) ao governo de Minas em 1998, quando ele disputava a reeleição e perdeu para Itamar Franco (PMDB).
Foram ouvidos ontem o ex-diretor financeiro e comercial da Copasa (estatal de água e saneamento) Fernando Soares, o coordenador-geral da campanha e ex-presidente da Cemig (estatal de energia), Carlos Eloy, e o ex-secretário-adjunto de Comunicação do governo Azeredo (1995-1998), Eduardo Guedes Neto.
A PF investiga se o caixa dois tucano foi abastecido com dinheiro público. O trabalho aproveita as apurações feitas em ação civil pública por improbidade administrativa movida em 2003 contra três empresas e oito pessoas, entre elas Azeredo e o atual vice-governador mineiro e então candidato a vice na chapa tucana de 1998, Clésio Andrade (PL).
As estatais Comig (atual Codemig) e Copasa, segundo a ação conjunta do Ministério Público Federal e Estadual, repassaram R$ 3 milhões para a campanha tucana como se fosse patrocínio do evento motociclístico Enduro da Independência. A exclusividade na organização do evento era da SMPB, que tinha Marcos Valério de Souza como sócio.
O ex-diretor da Copasa Fernando Soares, que ocupou o cargo de 1995 a 1999, não falou com a imprensa. Segundo o delegado Praxíteles Praxedes, seu depoimento foi ''pouco esclarecedor''. O ex-coordenador da campanha de Azeredo, Carlos Eloy, que presidiu a Cemig de 1991 a 1998, afirmou que ''nunca teve conhecimento'' de caixa dois. ''Eu só cuidava da parte política'', disse. O delegado Praxedes disse que as apurações estão no início e não é possível confirmar desvio de dinheiro para a campanha.

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