A Polícia Federal de Londrina vai ouvir hoje de manhã o superintendente regional do Banestado, José Collete, no inquérito que investiga a existência de 30 contas fantasmas nas agências da cidade. Parte dessas contas foram usadas para ‘‘lavar’’ o dinheiro desviado da Prefeitura de Londrina em licitações fraudulentas. Collete já foi ouvido pelo Ministério Público e disse que as contas teriam sido abertas em 1998 por ‘‘solicitação’’ do ex-diretor de operações do Banestado, Gabriel Nunes Pires.
O depoimento foi confirmado pelo próprio Collete, por meio da superintendência do Banestado. Ele informou que estará presente na PF. O delegado-chefe da Polícia Federal, João Luiz do Prado, no entanto, não quis dar maiores detalhes alegando que o inquérito corre em segredo de Justiça. ‘‘A menos que haja algum fato importante, que esteja fora dessa determinação judicial e que possa ser divulgado.’’
No depoimento de hoje, a PF deverá confrontar as informações prestadas por Collete com as de Gabriel Pires. Na semana passada, em Curitiba, Pires negou que tivesse solicitado a abertura de contas fantasmas. Ele também não confirmou informações prestadas anteriormente ao MP, de que a direção do Banestado sabia das irregularidades. Na época, o banco era presidido por Neco Garcia Cid – que também negou, em depoimento ao MP, que soubesse da existência de contas fantasmas.
Além de Collete, a PF ainda ouvirá hoje o servidor municipal João Edson Danzinger. Ele teria ‘‘encomendado’’ ao contador Ilvino Fazoli, de Londrina, a elaboração dos contratos sociais das 30 empresas fantasmas. Danzinger também seria responsável por duas empresas que fizeram remessas ilegais de dinheiro ao exterior por meio de contas CC-5. O caso está sendo investigado em outro inquérito da PF.
As contas fantasmas foram abertas no final de 98 e operaram entre dois e três meses, com movimento diário de até US$ 450 mil. O esquema foi descoberto pelo MP com o rastreamento do dinheiro desviado da prefeitura de Londrina. Para a abertura das empresas foram utilizados documentos furtados de ‘‘laranjas’’, entre eles um lavrador de Florestópolis, um estudante e uma ascensorista de Londrina. O MP trabalha com a hipótese de que o responsável pelas contas seria um conhecido doleiro de Londrina.
Além das contas abertas no Banestado de Londrina, o dinheiro desviado da prefeitura – R$ 16 milhões comprovados até agora – também passou pela conta da empresa fantasma Realty Participações, de São Bernardo do Campo (SP). A PF informou esta semana que já tem elementos suficientes para pedir a prisão do responsável pela empresa, Márcio Luchesi. A conta da empresa, no banco Meridional, teria lavado R$ 1,6 milhão do dinheiro desviado em licitações fraudulentas.
A Realty tem 99% do capital pertencentes à Norgred Sociedad Anonima, empresa uruguaia utilizada pelo ex-presidente Fernando Collor de Mello na chamada ‘‘Operação Uruguai’’. Na semana retrasada, a PF esteve em São Bernardo e São Paulo, mas não conseguiu localizar o empresário – que viveria em condomínio de luxo na capital paulista.

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