Seis pessoas que teriam trabalhado na campanha de reeleição do prefeito Nedson Micheleti (PT), em 2004, prestaram depoimento ontem no inquérito policial que apura denúncias de irregularidades na prestação de contas do PT entregue à Justiça Eleitoral.
Os primeiros a serem ouvidos pelo delegado Kandy Takahashi foram Artur Boligian, dono do jornal londrinense Folha Norte, e o operador de som Júlio César dos Santos.
A oitiva de Boligian não durou mais que meia hora. Ao deixar a sede da PF, ele não quis falar com a imprensa. O advogado do PT, João Gomes dos Santos Filho, não acompanhou o depoimento e esclareceu apenas que o dono do jornal atuou voluntariamente na campanha do prefeito Nedson Micheleti. ''Ele trabalhou como voluntário, não recebeu absolutamente nada. Não constam despesas nem da pessoa física, nem da pessoa jurídica'', comentou. A reportagem deixou recados na Folha Norte e na residência do pai de Boligian, mas não obteve retorno.
Santos Filho também deixou de participar do depoimento de Júlio César, embora tenha sido o próprio advogado quem conduziu o radialista de carro até a PF. ''Ele disse ao delegado que não ficaria constrangido com minha presença e eu falei 'mas eu fico, doutor'. Também achei que não era importante participar do depoimento dele, o que ele recebeu está na carteira de trabalho'', resumiu. Segundo consta na prestação de contas do PT, o radialista recebeu o total de R$ 1.667,36 em três parcelas. Júlio César disse à reportagem que não tinha nada a declarar.
À tarde, o delegado tomou o depoimento do jornalista Milton Antunes Pereira, citado no depoimento da denunciante e ex-assessora financeira da campanha, Soraya Garcia. Pereira entrou e saiu do prédio da PF pelos fundos e não concedeu entrevista.
Segundo o delegado, Pereira que teria editado os programas de televisão da campanha declarou ter recebido R$ 4,6 mil, valor que consta na prestação de contas. Conforme o depoimento, outros R$ 6 mil teriam sido pagos pelo ex-coordenador de produção da parte de comunicação da campanha, Nilton Marques, o Poka, que o teria contratado para outros serviços durante o pleito. ''Algumas pessoas estão alegando que quem foi o responsável pelo pagamento não foi a coligação. O pagamento por fora teria sido uma pessoa contratada para fazer o serviço na comunicação'', disse o delegado. No depoimento prestado esta semana, Poka admitiu ter contratado três pessoas.
Outras três testemunhas citadas no depoimento do motorista R.B. também foram ouvidas. Dois homens, que conforme R.B. teriam trabalhado como seguranças na campanha, negaram ter prestado o serviço e disseram que eram voluntários, atuando inclusive na distribuição de adesivos. Ambos trabalham na Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU).
Das pessoas ouvidas hoje, somente o motorista de caminhão identificado por Braga disse ter prestado serviços à campanha sem que aparecesse na prestação de contas. Braga disse ter feito o transporte de materiais de campanha em cinco fretes. Pelo serviço teria recebido R$ 600. ''Ele disse que foi buscar material de propaganda em Apucarana e que foi trazido para o comitê do PT'', resumiu o delegado. No dia primeiro de agosto, PF e Ministério Público Eleitoral cumpriram 22 mandados de busca e apreensão, inclusive em uma gráfica em Apucarana, onde teriam sido apreendidas notas fiscais. Takahashi disse que ainda deverá analisar se o volume de material que teria sido transportado por Braga coincide com o valor das notas. ''Isso vai ter que ser analisado. Não sei se o volume é compatível ou não'', disse cauteloso.
Na segunda-feira, sete pessoas da área de comunicação da campanha deverão ser ouvidas no inquérito, cinco delas através de intimação formal.

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