A Polícia Federal (PF) definiu que só ouvirá na próxima semana o depoimento do ex-secretário-geral da Presidência da República Eduardo Jorge Caldas Pereira, no inquérito que investiga a origem das fitas em que diálogos são atribuídos ao ex-presidente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo Nicolau dos Santos Neto, principal envolvido no desvio de R$ 169,5 milhões destinados às obras. A PF também esclareceu que Jorge não foi convocado a depor.
O depoimento de Jorge poderá ser tomado em São Paulo ou Brasília, informou ontem o delegado Ulysses Francisco Mendes, da PF. Ele é o responsável pela investigação do caso. ‘‘Estamos negociando’’, disse o delegado.
Mendes disse que o ex-secretário prestará depoimento na
condição de convidado. Ontem o advogado de Jorge, José Gerardo Grossi,
conversou com Mendes e pediu que o depoimento só fosse tomado na próxima semana. Grossi disse ter feito o pedido porque Jorge está ‘‘trabalhando duramente’’ por toda esta semana para reunir a documentação para a quebra de seu sigilo bancário, fiscal e telefônico que será enviada ao Ministério Público Federal (MPF).
Grossi disse que conversou ontem com Jorge, em São Paulo, por mais de duas horas, e o ex-secretário teria afirmado estar ‘‘chateado’’ com o noticiário sobre seu envolvimento no escândalo da construção do TRT paulista. ‘‘Eu creio que o depoimento na próxima semana seria mais conveniente’’, disse o advogado.
O ministro da Justiça, José Gregori, negou ontem, durante solenidade no Ministério das Relações Exteriores, que Jorge tivesse sido convocado pela PF para depor no inquérito que apura a procedência das fitas gravadas por um interlocutor não identificado em que Santos Neto faz acusações a membros do governo. Gregori explicou, entretanto, que existem negociações da PF com os advogados do ex-secretário para que ele preste depoimento.

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