O ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT) de Londrina, e atual presidente da Sercomtel, Francisco Moreno, e o diretor financeiro da campanha de reeleição do prefeito Nedson Micheleti (PT), Augusto Dias, prestaram depoimentos à Polícia Federal (PF) em Londrina, ontem pela manhã. Eles foram ouvidos pelo delegado Kandy Takahashi, que investiga supostas irregularidades na prestação de contas na campanha de reeleição do prefeito Nedson Micheleti (PT), em 2004.
Na avaliação do advogado do PT em Londrina, João dos Santos Gomes Filho, Moreno e Dias ''deixaram claro'' a inexistência de gastos de campanha não declarados, conforme denunciou a ex-assessora da campanha, Soraya Garcia. Segundo a ex-assessora, além dos R$ 1,3 milhão declarados à Justiça Eleitoral como despesas, teriam sido gastos mais R$ 5,2 milhões. ''Não há caixa dois. Isto está sendo usado de forma política pelo Ministério Público. Mas saio daqui satisfeito, porque as declarações dos dois (Moreno e Dias) deixam isso claro'', afirmou.
Os depoimentos foram cercados de algumas contradições. O primeiro ponto controverso foi sobre o comparecimento dos depoentes à PF. De acordo com o advogado tanto Moreno, quanto Dias, foram espontaneamente prestar esclarecimentos à PF. ''Eu nem vim para acompanhá-los. Nos encontramos por acaso'', afirmou. Segundo o advogado, o ''comparecimento espontâneo'' de Moreno e Dias evidenciaria a ''vontade'' dos depoentes em esclarecer os ''equívocos'' que existem sobre as contas da campanha. Segundo o delegado, ambos foram intimados a depor.
Gomes Filho também explicou que o depósito de uma doação para a campanha em um cheque no valor de R$ 10 mil na conta particular de Augusto Dias foi um equívoco. ''Não sabemos como esse cheque foi parar lá, foi em engano. É humano. Acontece. A questão é que ele acabou usando esse dinheiro para pagar despesas de seis meses do escritório que foi utilizado, como cafezinho e faxina'', esclareceu. No depoimento, Dias não teria justificado para onde foi o dinheiro.
Outra contradição pairou sobre a retomada das investigações. Os dois inquéritos instaurados em julho e setembro de 2005 e que foram unificados, estavam suspensos há um ano, devido sucessivos recursos apresentados pelo PT. No final do mês passado, o TRE determinou a retomada das investigações. No entanto, Gomes Filho assegurou que a investigação continua suspensa por determinação do tribunal. ''O inquérito está em andamento embora o advogado ache que não'', afirmou Takahashi. As investigações estariam suspensas somente em relação ao envolvimento do prefeito, que invocou o foro privilegiado. O delegado ainda não foi notificado da decisão do TRE.
O delegado pretende encerrar as investigações dentro de 30 dias. Desde a retomada do inquérito já foram ouvidas dez pessoas. Outras 20 ainda serão intimadas a prestar esclarecimentos à PF, entre elas o secretário de Gestão Pública, e ex-coordenador da campanha, Jacks Dias.

mockup