PF ouve envolvidos em caso de lavagem
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quarta-feira, 28 de julho de 2004
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
A Polícia Federal (PF) de Londrina deve intimar ainda esta semana o segurança Sidney Francisco de Souza a prestar depoimento no inquérito aberto para apurar suposta lavagem de dinheiro e remessa de divisas para o exterior. A informação foi confirmada por um dos delegados da PF, Kandi Takahashi, que não quis dizer o dia do depoimento.
Souza trabalha na agência de câmbio e turismo onde foram presos, sexta-feira, os empresários Benedito da Costa e Reinaldo Marques, sócios do estabelecimento. Anteontem à tarde, o segurança foi detido e liberado em seguida por agentes da PF e da Promotoria de Investigações Criminais (PIC). Contra Souza pesa uma condenação pela Vara da Auditoria Militar, que não teria comunicado a Vara de Execuções Penais (VEP) de Curitiba que ele responderia o processo em liberdade.
O delegado da PF não quis dar detalhes sobre o inquérito que corre sob segredo de justiça. Questionado sobre a ligação dos sócios presos com terceiros, disse apenas que ''é provável que haja''. Quanto à participação nas prisões de policiais federais de outras duas cidades, Takahashi disse que seguiu determinação da própria corporação. ''Porque precisávamos de mais gente para o serviço'', resumiu.
Costa e Marques tiveram mandado de prisão expedido pela 2 Vara Criminal Federal, de Curitiba, a pedido da força-tarefa que investiga o esquema de lavagem de dinheiro que usava as contas CC-5 do Banestado para remessa ilegal de divisas para o exterior. Em poder de Costa (na residência dele e na agência), os agentes apreenderam mais de R$ 100 mil, além de US$ 100 mil, um revólver calibre 38, uma espingarda, seis unidades de processamentos de computadores (CPUs) e grande quantidade de documentos. Além do crime de lavagem e remessa ilegal, ele também foi autuado em flagrante por porte ilegal de arma. Segundo o delegado Takahashi, Marques recebeu ordem de prisão no mesmo dia, ao depor, mas não em flagrante, e também por suposta lavagem, câmbio ilegal e evasão de divisas.
Os dois sócios estão presos na carceragem da PF de Londrina. O advogado de Marques, Walter Bittar, e de Costa, Marcelo Leal, informaram ontem à noite que seguem hoje a Curitiba para pedir na Justiça Federal o relaxamento da prisão e o habeas corpus de ambos. Para Leal, o fato de os policiais terem encontrado dinheiro em poder do cliente não pode induzir que ele tenha cometido algum crime apesar da quantidade. ''A maior parte do montante estava na casa, e não na agência. Que mal há em manter esse dinheiro na residência?'', questionou, sem explicar ao certo a origem das armas. ''Conversei pouco com ele até hoje. Mesmo assim, acho que há um conflito de normas, já que a pessoa hoje tem autorização para devolver armas à polícia. Mesmo assim, o fato não justifica que ele responda preso'', avaliou.


