Curitiba - A Polícia Federal (PF) irá utilizar os depoimentos e documentos já coletados pelos promotores do Ministério Público (MP) estadual para apurar se houve crime eleitoral na campanha à reeleição do prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL). Segundo o delegado regional Ademir Gonçalves, todas as provas que forem consideradas legítimas serão utilizadas no inquérito policial, que foi aberto no dia 28 de dezembro.
Até agora, as únicas pessoas ouvidas foram os candidatos a prefeito de Curitiba derrotados nas eleições do ano retrasado. Eles entraram com uma ação conjunta na 1ª Zona Eleitoral pedindo a investigação sobre um suposto caixa 2 na campanha do PFL. Ângelo Vanhoni (PT), Maurício Requião (PMDB) e Forte Neto (ex-PSDB, agora no PDT) compareceram à Polícia Federal para confirmar a queixa.
Os depoimentos não trouxeram muitas novidades às investigações. Segundo Maurício Requião, a única nova denúncia foi relacionada à empresa Risotolândia, que aparece em documentos investigados pelos promotores como tendo doado R$ 100 mil à campanha de Cassio, tendo recebido o mesmo valor um dia depois, em dinheiro. ‘‘Pedi para que fosse também investigado as irregularidades nos contratos da prefeitura com a Risotolândia para o fornecimento de merendas nas escolas públicas’’, afirmou Requião.
Enquanto não ocorrem novos depoimentos na PF, o delegado que apura irregularidades na prestação de contas de Cassio à Justiça Eleitoral, Hugo Corrêa Martins, está analisando os oito volumes do processo que lhe foram enviados pelo MP. O inquérito deve durar por mais 20 dias, podendo ser prorrogado caso seja solicitado pela Polícia Federal.
Segundo os promotores, os depoimentos para investigar se houve sonegação fiscal e uso de dinheiro público na campanha de Cassio devem ser retomados apenas na semana que vem. O MP luta para reestabelecer o sigilo sobre o caso, que foi quebrado por uma sentença do juiz da 1ª Zona Eleitoral, Espedito Reis do Amaral, no dia 10 de dezembro, e referendada por uma decisão do plenário do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) no dia 18 de dezembro.
Como o plenário do TRE está em recesso até o dia 4 de fevereiro, os advogados do partido continuarão tendo acesso aos depoimentos. Os promotores pretendiam reestabelecer o sigilo para que novas testemunhas não se sentissem intimidadas a depor.

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