Curitiba - O advogado Roberto Bertholdo, ex-conselheiro da Itaipu Binacional, prestou ontem um depoimento de aproximadamente três horas ao delegado Pedro Ribeiro Alves, da Polícia Federal. Bertholdo foi ouvido no Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), em Curitiba, onde está preso desde novembro acusado de lavagem de dinheiro, tráfico de influência, compra de sentença e grampo ilegal contra um juiz. Suspeita-se que Bertholdo prestou informações sobre denúncias publicadas esta semana pela revista Veja.
Alves disse que a investigação é sigilosa e não deu informações à imprensa sobre o teor do depoimento do advogado. A esposa de Bertholdo, Adriana de França, que chefia o grupo de advogados que representa o ex-conselheiro de Itaipu, também não quis fazer comentários.
Segundo a matéria da Veja, um ex-aliado de Bertholdo informou à revista que o advogado distribuía uma ''mesada'' a 55 dos 81 deputados federais do PMDB. Os valores variavam entre R$ 15 mil e R$ 200 mil. Um ex-auxiliar do PMDB disse que o ex-deputado federal José Borba (PMDB) mantinha encontros frequentes com Marcos Valério, apontado como operador do suposto mensalão do PT, e que o então tesoureiro do Partido dos Trabalhadores, Delúbio Soares, e Bertholdo participavam dessas reuniões.
A revista informou também que a PF está em posse de gravações de conversas telefônicas entre Bertholdo e um ex-sócio. Em um dos trechos das gravações, Bertholdo diz que o diretor-geral de Itaipu, Jorge Samek, cobrou US$ 6 milhões de propina da empresa Voith Siemens para perdoar uma dívida de US$ 200 milhões. Em nota à imprensa, Samek negou que tenha recebido qualquer pagamento ilegal.
A assessoria da PF em Brasília informou que o delegado Luiz Flávio Zampronha, responsável pelo inquérito sobre o mensalão, não poderia dar entrevistas ontem à tarde. (Colaborou Catarina Scortecci)

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