PF no Paraná investiga propinas em contratos da Infraero
PUBLICAÇÃO
domingo, 15 de abril de 2007
Agência Estado 
Brasília - A Polícia Federal (PF) no Paraná investiga a existência de um esquema de propina, um verdadeiro ''mensalão'', que seria pago a diretores da Infraero por empresas que exploram publicidade e executam obras nos aeroportos do País, segundo revelou a revista IstoÉ na edição desta semana. O ''mensalão'', segundo a revista, envolve amigo pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Paraná Walter Sâmara e uma secretária do presidente. A reportagem da revista se baseia em declarações e documentos da empresária Sílvia Pfeiffer entregues à PF.
De acordo com a revista, Sâmara teria recomendado a empresária que procurasse uma secretária de Lula para tratar sobre dinheiro para o PT. Sílvia Pfeiffer, que trabalha com publicidade em aeroportos há 20 anos, revela que obteve contratos para sua empresa, a Aeromídia, no aeroporto Afonso Pena, em Curitiba, em troca de pagamento de propina a diretores da Infraero. O esquema, conta a empresária à revista, se repete em outros aeroportos do País, onde a Aeromídia é concessionária de serviços de publicidade.
A empresária afirma que sua empresa paga o ''mensalão'' desde 2003 e que os depósitos em dinheiro chegam, às vezes, a R$ 20 mil nas contas de parentes dos diretores. O pagamento de propina também seria feito com entrega de automóveis.
As declarações da empresária fazem parte de uma notícia-crime que ela encaminhou à Polícia Federal junto com contratos, cópias de recibos, depósitos bancários e arquivos de computador. Entre os documentos estaria também um boleto de faculdade que a empresa pagava para a filha do ex-presidente da Infraero em Alagoas e no Paraná Mário de Ururahy Macedo Filho, Ana Carolina. Além disso, cópias de depósitos na conta da mulher, Hildebrandina Macedo. Mário Ururahy trabalha na Infraero em Brasília como assessor da diretora de Engenharia, Eleuza Therezinha Lores.
De acordo com a revista, a empresária aponta o diretor de Administração da Infraero, Marco Antonio Marques de Oliveira, como responsável por ter autorizado um contrato irregular da Aeromídia no Aeroporto de Brasília. Na lista dos ''mensaleiros'', segundo a revista, estão ainda o gerente comercial do Aeroporto Afonso Pena, Arlindo Lima Filho, o superintendente de Logística e Carga da Infraero, Luiz Gustavo da Silva Schild, e o atual superintendente da Infraero no Paraná, Antonio Felipe Barcelos.
Sílvia Pfeiffer aponta o assessor da Infraero Eurico José Bernardo Loyo como responsável por acertos com a Aeromídia em nome do ex-presidente da estatal e hoje deputado Carlos Wilson (PT-PE). De acordo com a empresária, ela entrou no esquema de pagamento de propina quando o prefeito de Curitiba era Cássio Taniguchi, do DEM, ex-PFL. Ela tinha dificuldade para obter alvará de funcionamento para veicular seus anúncios nos aeroportos e teria sido procurada pelo secretário de Urbanismo de Taniguchi, Carlos Alberto Carvalho, que lhe sugeriu entrar como sócio na Aeromídia em troca de liberar alvarás.
Ainda segundo a revista, ele teria emitido notas frias e fechado contratos irregulares. A empresária, segundo a revista, estaria disposta a prestar depoimento em eventual CPI do apagão aéreo. De acordo com IstoÉ, todos supostos mensaleiros negaram envolvimento em irregularidades.


