Brasília - O relatório do delegado Diógenes Curado, da Polícia Federal, não vai trazer a informação de que o R$ 1,7 milhão que seria usado para a compra do dossiê contra candidatos tucanos saiu do PT. O delegado deverá, no entanto, afirmar que o dinheiro era de responsabilidade de militantes do partido. A informação é do vice-presidente da CPI dos Sanguessugas, deputado Raul Jungmann (PPS-PE), que conversou ontem, por telefone, com o delegado. O relatório deverá ser entregue hoje ao juiz Jefferson Scheneider, que cuida do inquérito sobre o dossiê em Mato Grosso.
''Ele me disse que possivelmente um mal entendido levou a se dizer que o dinheiro era de origem do PT. Que o dinheiro foi manipulado, transportado e é de responsabilidade de militantes do PT, não resta nenhuma dívida'', disse Jungamann. Conforme o vice-presidente da CPI, o delegado informou que não há como confirmar que o dinheiro é de responsabilidade do partido.
Em um ofício anexado ao inquérito que pediu a quebra dos sigilos telefônicos de Gedimar Passos e Valdebran Padilia, presos em são paulo com o dinheiro destinado à compra do doissê, o delegado chegou a afirmar que ''há provas nos autos que o dinheiro teria vindo do Partido dos Trabalhadores, porém os verdadeiros financiadores do 'Dossiê Sanguessuga' não se apresentaram até o momento''.
No mesmo ofício, Cuardo diz: ''Observa-se que os fatos estão cobertos sob um manto de dúvidas e mentiras, sendo necessários esforços no sentido de se descobrir a verdadeira origem do dinheiro apreendido, posto que, se fosse lícita, o proprietário já teria se apresentado''.
Segundo Jungamnn, o delegado também confirmou que parte do dinheiro teria origem no jogo do bicho. ''Mas o delegado disse que não tinha como dizer de qual banca de bicho era o dinheiro'', afirmou o vice-presidente da CPI.
Além do jogo do bicho, o dinheiro para a compra do dossiê teria vindo de corretoras. De acordo com o relato de Jungmann, também foram feitos saques de baixo valor, em várias agências bancárias, para evitar chamar a atenção do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Isso dificulta o rastreamento do dinheiro. Apesar das dificuldades, Jungmann está confiante que as investigações da Polícia Federal sobre a origem do dinheiro serão concluídas antes do segundo turno das eleições, no dia 29 de outubro.
A nove dias do segundo turno das eleições, o presidente da CPI dos Sanguessugas, deputado Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), tenta evitar o uso político das investigações da Polícia Federal e do Ministério Público sobre o dossiê contra candidatos tucanos.
Técnicos da CPI embarcaram ontem para Cuiabá a fim de obter uma cópia do relatório do delegado Diógenes Curado. Raul Jungmann chegou a anunciar que iria a Cuiabá mesmo sem a autorização de Biscaia, mas acabou desistindo da viagem. ''Não brequei a ida de ninguém a Cuiabá'', disse Biscaia. ''O que é importante e relevante é que os dados venham para cá. Qualquer um de nós é livre para ir a Cuiabá'', observou Jungmann. Anteontem, o sub-relator da CPI, Carlos Sampaio (PSDB-SP), também se mostrou disposto a ir a Cuiabá para ter acesso ao relatório do delegado da Polícia Federal. O tucano não apareceu ontem na comissão.

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