Brasília - Embora negue oficialmente, a Polícia Federal (PF) está monitorando os passos do empresário Marcos Valério de Souza, acusado de ser o principal operador do ''mensalão''. Um grupo de seis policiais, atuando em duplas, por turno, está se revezando há pelo menos duas semanas no cerco ao empresário, que teve o pedido de prisão preventiva aprovado pela CPI dos Correios. Legalmente, Valério tem o direito de livre locomoção, inclusive para o exterior. Mas por se tratar de pessoa investigada, a PF tem o dever funcional de seguí-lo onde quer ele que vá, segundo explicou um delegado envolvido nas investigações.
O cerco ocorre as 24 horas do dia e, embora discreto, está presente em todos os lugares onde o empresário se encontre, seja no condomínio onde mora, quando vai depor, quando se desloca para uma de suas empresas, ou mesmo para o escritório do advogado.
Certa de que o pedido será concedido muito em breve pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a PF já reservou até uma cela especial para Valério na carceragem da sua Superintendência, em Brasília. Com 35 metros quadrados, banheiro privativo e cama de cimento com colchonete, a cela fica a alguns passos da que é ocupada pelo traficante Fernandinho Beira Mar, recentemente transferido para a cidade. Antes de colocá-lo na cela especial, porém, a PF vai conferir a legitimidade do diploma de engenharia que Valério diz possuir.

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