A Polícia Federal de Londrina está localizando novos ‘‘laranjas’’ usados em lavagem de dinheiro através de contas fantasmas em agências do Banestado. Ontem de manhã, o delegado Sandro Roberto dos Santos ouviu a ascensorista Alessandra Menegheli.
Como a maioria dos ‘‘laranjas’’ identificados pela PF, a ascensorista teve os documentos furtados em 1997, que acabaram usados para abrir empresas e contas fantasmas. Ela só descobriu a fraude este ano, ao ser procurada pela PF. Em seu nome foram abertas pelo menos três contas – jurídicas e físicas. Uma das empresas seria a ‘‘Menegheli Empreiteira’’, que só existiu no papel.
Ontem de manhã, o delegado também iria ouvir Fábio Antônio Reverso – que seria um estudante em Londrina, cujos documentos foram furtados e também acabou sendo usado como laranja. Mas até o final da manhã ele não compareceu à sede da PF.
A lavagem de dinheiro através de contas fantasmas foi descoberta pelo Ministério Público (MP) durante rastreamento do dinheiro desviado da Prefeitura de Londrina em licitações fraudulentas. Foram abertas pelo menos 30 contas fantasmas no Banestado, um terço delas de empresas fantasmas, que estariam em nome de laranjas que tiveram os documentos perdidos ou furtados.
A PF abriu 30 inquéritos para investigar o caso e já identificou vários laranjas, entre eles um pintor que está preso em Ibiporã acusado de furto e um metalúrgico de Maringá.
Segundo depoimento do contador Ilvino Fazoli, de Londrina, que elaborou os contratos sociais das empresas fantasmas, o serviço teria sido ‘‘encomendado’’ pelo servidor público municipal João Edson Danzinger. O servidor – que também estaria envolvido em envio irregular de recursos para o exterior por meio das contas CC-5 – negou tudo.
O esquema de contas fantasmas movimentou altos valores nas contas do Banestado, chegando a R$ 400 mil diários entre 1998 e 1999. Até um ex-diretor do banco foi acusado de envolvimento. O MP trabalha com a hipótese que um doleiro da cidade pode ser o responsável pela movimentação.

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