O depoimento do ex-governador Orestes Quércia (PMDB-SP), ontem em São Paulo, no inquérito que apura contribuição irregular feita pela empresa Transbraçal na campanha eleitoral de 1998, durou cerca de dez minutos. Quércia não será indiciado. Segundo a assessoria de imprensa da Delegacia de Ordem Política e Social (Delops) da Polícia Federal, o delegado que preside o inquérito ''entende que não há irregularidade'' já que a doação está declarada na prestação de contas feita à Justiça Eleitoral.

Governo quer revisar Lei de Licitações

O ministro do Planejamento, Martus Tavares, anunciou ontem que o governo está apresentando um anteprojeto para consulta pública com o objetivo de fazer uma revisão na Lei de Licitações para incorporar os avanços tecnológicos. Segundo o ministro, o objetivo dessas modificações é facilitar o acesso de pequenas empresas aos leilões de compras governamentais. No ano passado, as compras do governo totalizaram R$ 11 bilhões. Segundo Martus, o sistema de pregão eletrônico já possibilitou neste ano uma economia de cerca de R$ 500 milhões. Tavares anunciou também o lançamento do cartão de crédito corporativo do governo federal. Com esse cartão os funcionários que fazem viagens a serviço do governo poderão pagar suas contas diretamente com o cartão.

Tarso tira lição em caso de denúncia

O escândalo político criado pela gravação em que um líder petista gaúcho pede para a polícia não reprimir o jogo do bicho deve servir de lição para o partido e constitui uma prova de que o PT não é o único depositário da moral e da ética, nem está imune a desvios de conduta por parte de seus dirigentes. Essa opinião foi expressa ontem pelo prefeito de Porto Alegre, Tarso Genro. Ele garantiu, entretanto, ter confiança de que o governador Olívio Dutra ''não tem nada a ver com isso''. ''Não me sinto surpreso com o problema que o PT está passando, porque quando um partido se torna grande é natural que surjam condutas irregulares'', disse Tarso. ''Nenhum partido está imune a isso.''
De acordo com o prefeito, o partido erra ao pensar que é o único portador da moralidade. ''Isso faz parte da nossa cultura, eventualmente até eu posso ter verbalizado esse pensamento'', admitiu. O episódio envolve o presidente do Clube de Seguros da Cidadania, Diógenes de Oliveira, que intercedeu em favor dos bicheiros em nome de Olívio.

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