PF lacra cofre alugado por Wagner Ramos
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 28 de fevereiro de 1997
Agência Estado 
Agência EstadoComandoO senador Romeu Tuma está coordenando as investigações da PF nas empresas envolvidas no escândaloSÃO PAULO - O senador Romeu Tuma (PFL-SP) lacrou ontem um cofre alugado pelo ex-coordenador da Dívida Pública do município de São Paulo, Wagner Baptista Ramos, na agência central do Banespa, em São Paulo. Ramos é considerado o mentor do esquema de emissão fraudulenta de títulos. Tuma disse que o cofre deverá ser aberto na segunda-feira na presença de fiscais da Receita Federal.
Tuma e o delegado da Polícia Federal João Carlos Sanchez Abraços conseguiram mandado de busca e apreensão e fizeram uma blitz em quatro apartamentos do flat Royal Ibirapuera Park, na rua Abílio Soares, 1.251. Há a suspeita de que o local abrigava um escritório clandestino de Ramos. Nesse endereço, Ramos e seu ex-assessor na Prefeitura, Pedro Neiva Filho, são proprietários dos apartamentos 2.045 e 2.092. Outros dois apartamentos estariam sendo usados pelo ex-coordenador da Dívida Pública.
Ontem também foi autorizada a quebra de sigilo telefônico de Ramos, do dono da IBF Factoring, Ibrahim Borges Filho, do seu advogado, Ricardo José Prado, e de outros envolvidos.
Diligências Tuma está coordenando as diligências da Polícia Federal nas empresas envolvidas no escândalo. Ele disse que a CPI dos Títulos Públicos decidiu apertar o cerco contra Ramos porque o nome dele surge com muita força não só na preparação dos processos como nos contratos que ele assinou para emissão e veiculação de títulos.
O senador voltou a defender a necessidade de decretar a prisão preventiva do ex-coordenador da Dívida Pública paulistana. Ele disse que Ramos tem dinheiro para sair do País, mas corre risco de vida porque a quadrilha não é nova no mercado e operou em todos os escândalos.
A CPI não sabe do paradeiro de Ramos. O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) informou à noite que Ramos está em São Paulo. Ele disse que, de acordo com o advogado Márcio Thomas Bastos, o ex-coordenador da Dívida Pública paulistana está disposto a colaborar com a CPI, provavelmente na próxima semana. Bastos será o advogado de Ramos.
Nas diligências feitas na quinta-feira e madrugada de ontem a PF esteve na agência do Banco Dimensão, no Itaim Paulista, e em cinco distribuidoras de títulos. De acordo com Tuma, não pesa nenhuma acusação sobre o Dimensão, embora seja o banco onde a IBF movimentava o dinheiro. No Dimensão vai aparecer quem pegou os cheques e esvaziou a conta da IBF, acredita Tuma. A CPI quer descobrir quais foram os beneficiários de cerca de 200 cheques da IBF, que teria lucrado R$ 123 milhões nas operações.


