PF já investiga venda da Sercomtel
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terça-feira, 27 de março de 2001
Lino Ramosde Londrina 
A Polícia Federal (PF) de Londrina abriu inquérito para investigar a venda de 45% das ações da Sercomtel S/A para a Companhia Paranaense de Energia (Copel). Segundo o delegado reponsável pelas investigações, Sandro Roberto Viana dos Santos, o inquérito foi instaurado na semana passada mas na prática o trabalho começou ontem. A transação entre Sercomtel e Copel foi realizada em maio de 1998 e rendeu R$ 186 milhões ao município de Londrina.
O pedido de abertura de inquérito foi encaminhado à PF pela Procuradoria Regional da República em Londrina. Segundo o delegado, as investigações também irão abranger o pagamento de R$ 19,9 milhões feito pela Copel ao banco FonteCindam. Santos vai pedir cópia de uma auditoria que está sendo feita por auditores da Receita Federal sobre esse pagamento.
O valor se refere a uma dívida contraída pela prefeitura e quitada pela Copel como parte do pagamento dos R$ 186 milhões. Um um mês antes da venda das ações da Sercomtel, o FonteCindam negociou com um banco do Uruguai os direitos dessa dívida da prefeitura e R$ 12 milhões (do total de R$ 19,9 milhões) teriam sido depositados nesse mesmo banco uruguaio.
O processo encaminhado à PF contém 12 volumes e 1,5 mil páginas, mas não deve auxiliar o trabalho da polícia. Vamos ter que pedir documentos a todos os orgãos públicos relacionados com o caso, afirmou o delegado. Segundo ele, os documentos encaminhados à PF tratam do processo de cassação do ex-prefeito Antonio Belinati pela Câmara e da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) aberta em maio de 1999 pela Assembléia Legislativa (AL) e arquivada no dia seguinte. Não servirão de base para nenhuma investigação, afirmou o delegado.
A denúncia à Justiça Federal sobre a venda de ações da Sercomtel foi feita pelo diretório municipal do PSDB, que queria saber por que a dívida junto ao FonteCindam e Banco Financeiro e Industrial (BFI) saltou de R$ 21 milhões para cerca de R$ 40 milhões.


