PF investigará suposta máfia de medicamentos
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quarta-feira, 27 de junho de 2007
Luciana Pombo<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - A Polícia Federal (PF) recebeu documentos da Procuradoria Geral do Estado (PGE) que levantam suspeita de que uma máfia de remédios - composta por médicos, laboratórios e advogados - estaria agindo no Paraná com o intuito de favorecer determinados medicamentos que poderiam ser substituídos e forçar o governo do Estado a fornecê-los para pacientes de doenças crônicas. São os chamados remédios excepcionais. ''Estamos apurando crime contra a ordem econômica'', declarou a procuradora Geral do Estado, Jozélia Broliani. A PF não confirmou o recebimento da documentação.
Um dos advogados que mais teriam conseguido liminares contra o governo do Estado para fornecimento de um medicamento para artrite reumática foi Ivone Terezinha Razolin. Ela conseguiu 50 liminares com a Justiça Estadual para pacientes de diversos municípios. Ontem, ela foi ouvida na Comissão de Saúde da Assembléia Legislativa e explicou que advoga para pacientes da Associação Paranaense de Portadores de Doenças Reumáticas desde 2004. ''São mais de 200 patologias relacionadas a artrite. Selecionamos todas as ações que entramos por critérios técnicos como a carência do paciente e o protocolo clínico. Por isso, o sucesso nas ações é de 95%'', explicou. O medicamento pedido nas liminares é o único que pode ser usado para crianças contra a artrite reumática.
As primeiras suspeitas de que estaria havendo irregularidades no Paraná nas ações para a compra de medicamentos ocorreram em fevereiro deste ano, quando o então procurador Geral do Estado, Sérgio Botto de Lacerda, fez advertência formal à Secretaria de Estado da Saúde para que verificasse se a resolução sobre a compra de remédios com descontos estava sendo cumprida. Em março, o governador Roberto Requião teria avocado a compra de medicamentos para si. ''A impressão que fica para mim é que o governo do Estado tenta criar uma cortina de fumaça para encobrir o atraso do governo na entrega dos medicamentos'', salientou o deputado Ney Leprevost (PP), presidente da Comissão de Saúde.
A deputada estadual Rosane Ferreira (PV) entrou em defesa do Estado. ''Tenho informações da PGE que faltam critérios para que os medicamentos sejam solicitados'', justificou.
A presidente da Associação dos Procuradores do Estado do Paraná (Apep), Vera Grace Cunha, convocou ontem uma reunião para debater o tema da compra de medicamentos pelo Estado. Ela quer que a Justiça Estadual adote o mesmo protocolo que tem pautado as decisões na Justiça Federal. ''Não se pode dar medicamentos de forma ilimitada e incontida. É preciso ter uma organização.''


