PF investiga tramóia de empresas
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sábado, 17 de junho de 2000
Agência Estado De São Paulo 
O delegado federal Luiz Carlos Zubicov, que preside o inquérito sobre suposto envolvimento do senador Luiz Estevão com o desvio de recursos destinados à construção do Fórum Trabalhista de São Paulo, tomou na quarta-feira o depoimento do empreiteiro Fábio Monteiro de Barros Filho. Diretor-presidente da Incal Incorporações, responsável pela obra incabada do fórum, Monteiro de Barros está preso na Custódia da Polícia Federal em São Paulo onde foi ouvido sob acusação de estelionato, falsidade ideológica, corrupção ativa, formação de quadrilha e peculato.
Zubicov insistiu em um ponto: as transferências de valores da Incal para empresas do Grupo OK. Levantamento promovido pelo Banco Central e pela Procuradoria da República revela que no período entre 1992 e 1993 houve 51 repasses no montante global de US$ 34, 2 milhões. A primeira transferência, no valor de US$ 113, 9 mil, ocorreu em 15 de abril de 1992 apenas cinco dias depois que o TRT-SP fez o primeiro pagamento à empreiteira.
O delegado Zubicov trabalha com a suspeita que Estevão é o verdadeiro dono da Incal, o que motiva o seu enquadramento por formação de quadrilha. Faz parte do inquérito cópia do contrato firmado em 21 de fevereiro de 1992, por meio do qual o senador adquiriu 90% das ações da empreiteira. Na época, a licitação do Fórum estava em andamento. No dia 25, foram abertos os envelopes com as propostas de preços das empresas habilitadas. A PF e a procuradoria supõem que o senador participou de uma licitação fraudulenta.
Em seu depoimento, Monteiro de Barros reiterou declarações que prestou à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Judiciário e à Justiça Federal. Barros afirmou que Estevão não é acionista da Incal, controlada pelo Grupo Monteiro de Barros. Eu sou o dono da empresa, disse. O empreiteiro negou que tenha repassado dinheiro da obra para as contas do OK.
Antes de ouvir o relato de Monteiro de Barros, o delegado solicitou ao juiz Casem Mazloum, da 1ªVara Criminal Federal, cópias dos depoimentos dados por ele nos dois processos em que é réu.
Nesta semana, Zubicov retorna a Brasília para o indiciamento do senador. A divulgação sobre o enquadramento de Estevão foi feita oficialmente pela direção-geral da PF na tarde de quarta-feira, horas antes da aprovação do parecer do senador Jéfferson Péres (PDT-AM) que pediu a cassação do peemedebista por quebra de decoro parlamentar. Procuradores da República empenhados na investigação sobre Estevão estavam preocupados com a demora no indiciamento.
Enquanto isso, o ex-juiz Nicolau dos Santos Neto, que foi presidente do TRT de São Paulo, continua desaparecido. Ele seria um dos principais articuladores do golpe, que lhe rendeu considerável fortuna.


