O delegado federal Luiz Carlos Zubicov, que preside o inquérito sobre suposto envolvimento do senador Luiz Estevão com o desvio de recursos destinados à construção do Fórum Trabalhista de São Paulo, tomou na quarta-feira o depoimento do empreiteiro Fábio Monteiro de Barros Filho. Diretor-presidente da Incal Incorporações, responsável pela obra incabada do fórum, Monteiro de Barros está preso na Custódia da Polícia Federal em São Paulo – onde foi ouvido – sob acusação de estelionato, falsidade ideológica, corrupção ativa, formação de quadrilha e peculato.
Zubicov insistiu em um ponto: as transferências de valores da Incal para empresas do Grupo OK. Levantamento promovido pelo Banco Central e pela Procuradoria da República revela que no período entre 1992 e 1993 houve 51 repasses no montante global de US$ 34, 2 milhões. A primeira transferência, no valor de US$ 113, 9 mil, ocorreu em 15 de abril de 1992 – apenas cinco dias depois que o TRT-SP fez o primeiro pagamento à empreiteira.
O delegado Zubicov trabalha com a suspeita que Estevão é o verdadeiro dono da Incal, o que motiva o seu enquadramento por formação de quadrilha. Faz parte do inquérito cópia do contrato firmado em 21 de fevereiro de 1992, por meio do qual o senador adquiriu 90% das ações da empreiteira. Na época, a licitação do Fórum estava em andamento. No dia 25, foram abertos os envelopes com as propostas de preços das empresas habilitadas. A PF e a procuradoria supõem que o senador participou de uma ‘‘licitação fraudulenta’’.
Em seu depoimento, Monteiro de Barros reiterou declarações que prestou à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Judiciário e à Justiça Federal. Barros afirmou que Estevão não é acionista da Incal, controlada pelo Grupo Monteiro de Barros. ‘‘Eu sou o dono da empresa’’, disse. O empreiteiro negou que tenha repassado dinheiro da obra para as contas do OK.
Antes de ouvir o relato de Monteiro de Barros, o delegado solicitou ao juiz Casem Mazloum, da 1ªVara Criminal Federal, cópias dos depoimentos dados por ele nos dois processos em que é réu.
Nesta semana, Zubicov retorna a Brasília para o indiciamento do senador. A divulgação sobre o enquadramento de Estevão foi feita oficialmente pela direção-geral da PF na tarde de quarta-feira, horas antes da aprovação do parecer do senador Jéfferson Péres (PDT-AM) que pediu a cassação do peemedebista por quebra de decoro parlamentar. Procuradores da República empenhados na investigação sobre Estevão estavam ‘‘preocupados com a demora no indiciamento’’.
Enquanto isso, o ex-juiz Nicolau dos Santos Neto, que foi presidente do TRT de São Paulo, continua desaparecido. Ele seria um dos principais articuladores do golpe, que lhe rendeu considerável fortuna.

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