PF investiga se vôo fretado pelo PT levou dinheiro para dossiê
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terça-feira, 24 de outubro de 2006
Folhapress 
Cuiabá - A Polícia Federal investiga se Hamilton Lacerda usou um avião fretado para transportar, do Rio para São Paulo, parte do dinheiro que seria usado na compra do dossiê contra políticos do PSDB. O avião teria saído de Nova Iguaçu, Baixada Fluminense, e aterrissado no aeroporto de Campo de Marte, na capital paulista. A Baixada Fluminense é a principal área das investigações da PF no momento, tanto no rastreamento dos dólares quanto da parcela em reais que o PT usou ao negociar o dossiê.
Os indícios mais concretos de que a PF dispõe para descobrir a origem dos dólares recaem sobre três casas de câmbio. Uma delas é a Vicatur, localizada justamente em Nova Iguaçu. Os policiais encarregados das investigações reuniram informações de que pessoas humildes de uma mesma família adquiriram dólares, em operações consideradas suspeitas, nessa casa de câmbio. A hipótese mais provável é que sejam ''laranjas'', utilizados para encobrir os verdadeiros interessados na compra dos dólares.
Ex-coordenador da campanha do senador Aloizio Mercadante (PT) ao governo de São Paulo, Lacerda foi identificado pela PF como o responsável por ter levado o dinheiro para a compra do material contra os tucanos a Gedimar Passos e Valdebran Padilha, emissários do PT detidos no hotel Ibis, em São Paulo, com R$ 1,75 milhão, no dia 15 de setembro. Há 36 dias, a PF rastreia o caso do dossiê.
No vôo de Nova Iguaçu para São Paulo, Lacerda estaria acompanhado de Fernando Ribas, diretor da Vicatur, e de uma terceira pessoa que ainda não teria sido identificada, segundo a informação investigada pela PF. O vôo teria sido no dia 12 de setembro, três dias antes da prisão de Gedimar e Valdebran. Em relação à parte em reais, a PF tem indícios de que pelo menos R$ 5 mil vieram de bancas de jogo do bicho na Baixada Fluminense.
A Justiça concedeu 30 dias para a Polícia Federal concluir a investigação sobre o dossiê Vedoin. O pedido de prazo foi feito pelo delegado Diógenes Curado, que preside o inquérito. O delegado pediu autorização para realizar ''novas diligências'', o que inclui mandados de busca, depoimentos e novas quebras de sigilo telefônico e bancário de suspeitos.


