PF investiga pistas de cúmplice de Lalau
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terça-feira, 12 de dezembro de 2000
Ayrton Centeno Agência Estado De Bagé 
A Polícia Federal está investigando pistas deixadas pelo cúmplice do ex-juiz Nicolau dos Santos Neto, que desviou quase R$ 200 milhões das obras do TRT-SP, e que está preso desde quinta-feira na capital paulista. Os federais descobriram que Ernesto Winckler Martinez ou Ernesto de Souza, o homem que contratou o transporte para buscar o juiz Nicolau em Aceguá, na fronteira do Brasil com o Uruguai, saiu do hotel onde estava hospedado no momento em que foi exigido seu documento de identidade. A Polícia Federal acredita que Martinez ou Souza seja o uruguaio conhecido por Wilker, suspeito de ter comandado a rede de proteção do juiz durante os quase oito meses de fuga.
Martinez ou Souza, que se declarou argentino na ficha do hotel e brasileiro ao falar com a portaria com forte sotaque espanhol, deixou o Hotel Fenícia, no centro de Bagé, por volta das 10 horas de sexta-feira, mesmo dia em que o juiz foragido entregou-se à Polícia Federal no Motel Fliper, situado na estrada entre Bagé e Dom Pedrito, na campanha gaúcha.
O hóspede foi descrito ontem pelos funcionários do hotel, André Porciuncula, de 29 anos, e Simone Pedra, de 28, como alguém de estatura média cerca de 1,70 metro de altura de cabelos embranquecidos, embora aparentando apenas 40 anos, com óculos de grau e sem barba nem bigode. Ele chamou a atenção por ter assinado duas fichas no hotel, em um espaço de seis horas, com nome e dados diferentes.
Martinez ou Sousa chegou às 4 horas da madrugada de sexta. Na hora de preencher a ficha de número 7.916, declarou chamar-se Ernesto Winckler Martinez, comerciante ligado à firma Plastrom, argentino, solteiro, nascido em 16 de julho de 1957 e possuidor da carteira de identidade número 1.323.271. Disse que seu endereço era Rua Andraus, 193, em São Paulo, capital (a rua não consta do guia de endereços da cidade). Às 10 horas, ele deixou o apartamento 606, passou pelo salão do café, tomou um suco de laranja rapidamente e dirigiu-se à portaria.
Solicitou a troca de quarto de standard para luxo e pediu para fazer uma nova ficha, alegando que errara alguns dados na primeira. Ele ditou as alterações, eu escrevi e ele só assinou, recorda Simone. Depois, ele perguntou se a primeira ficha seria inutilizada, observou a funcionária. Ao perceber a disparidade entre os dados declarados, Simone foi precavida. Grampeei as duas fichas, contou.
Na segunda ficha, Martinez trocou o nome para Ernesto de Souza. Mudou a data de nascimento para 17 de setembro de 1957 e trocou o número da cédula de identidade para 1.203.057. Também trocou a assinatura. Esse tipo de identidade, com esses números, não é brasileira, reparou a gerente do Fenícia, Luiza Babot. Quando lhe foi exigida a identidade, o hóspede prometeu que logo a traria.
Disse também que faria uma viagem curta e retornaria em seguida. Chegou a subir para seus aposentos, supostamente para buscar a carteira de identidade. Voltou imediatamente, sem apresentar a documentação e deixando o hotel com uma bolsa de couro nas costas. Trajava camisa pólo amarela e jeans. Pagou R$ 27 pela diária.
Antes, segundo dois funcionários do hotel, ele deu a entender que traria um amigo para o hotel. Perguntou se poderia fazer ligações do apartamento, mas não realizou nenhuma. A gerente garantiu que até ontem a polícia ainda não procurara o hotel para obter informações sobre o homem que contratou o taxista Airton Jardim Fontes, de 47 anos, para buscar o juiz em Aceguá, na sexta-feira.


