A Polícia Federal (PF) de Londrina está investigando mais cinco contas fantasmas abertas em agências do Banestado. As contas frias foram detectadas pela Receita Federal e, segundo a Folha apurou ontem, fazem parte de um inquérito instaurado pela PF no início deste mês. Ainda não se sabe o volume de recursos que circulou por essas contas. Uma delas foi aberta na agência 264 em Ibiporã (14 km a leste de Londrina), duas na agência 314 (Avenida Tiradentes, zona oeste) e outras duas na agência Centro de Londrina. Ao todo, são 37 contas fantasmas que estão sendo investigadas pela PF e pelo Ministério Público (MP).
As contas fantasmas estão em nome de Militão & Parisoto S/C, Abravel Representações Comerciais S/C Ltda (em Ibiporã), Hermison Valter de Araújo & Cia Ltda, Maia & Militão S/C Ltda, além de Jomaia Empreendimentos Comerciais S/C Ltda. Elas foram movimentadas entre o final de 98 até o início de 99.
Com exceção da Jomaia Empreendimentos, que estaria localizada na Rua Pelicano, Jardim Paraíso (zona norte), o endereço de todas as empresas é a Rua Beija-Flor, 155, também no Paraíso, um dos bairros mais carentes de Londrina. No local, porém, residem há 25 anos o motorista Romeu de Oliveira Parisoto e sua mulher, Élcia Militão Parisoto.
Parisoto já foi usado como laranja. Ele foi apontado como responsável por uma conta CC-5 (Carta-Circular nº 5) em nome da Militão & Parisoto, usada para enviar R$ 2,2 milhões ao exterior entre 1992 e 1998. Uma filha do casal disse ontem à Folha que ‘‘de vez em quando ainda chegam cartas em nome dessas empresas, porém a correspondência vai para o lixo’’.
O delegado da PF, Sandro Roberto Viana dos Santos, não quis se pronunciar sobre as novas contas fantasmas encontradas no Banestado. Segundo ele, as investigações estão no início. Em relação aos demais processos sobre lavagem de dinheiro e contas CC-5, Santos alegou que o trabalho está sob segredo de Justiça.
A assessoria do Banco Itaú, em Curitiba (que adquiriu o Banestado), informou que o banco ‘‘tem uma política extremamente rigorosa nesse sentido e não tolera esse tipo de movimentação (por contas fantasmas)’’. Ainda de acordo com a assessoria de imprensa, o Itaú faz constantes auditorias para coibir essa prática.
As investigações da PF e do MP sobre as contas fantasmas abertas no Banestado de Londrina tiveram início no primeiro semestre do ano passado. Elas são atribuídas ao empresário e doleiro Alberto Youssef. Entre maio de 98 a janeiro de 99, essas contas teriam movimentado aproximadamente R$ 150 milhões.

mockup