PF investiga hipótese de crime político
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quinta-feira, 24 de janeiro de 2002
Fausto Macedo Agência Estado 
São Paulo - A Delegacia de Ordem Política e Social da Polícia Federal (PF) em São Paulo abriu ontem um inquérito para investigar implicações políticas no episódio do sequestro e assassinato do prefeito de Santo André, no Grande ABC (SP), Celso Daniel (PT).
O inquérito 5/2002 será presidido pelo delegado Hermes Rubens Siviero Júnior, da Delegacia Regional de Polícia da Superintendência da PF. Desde sábado, quando o corpo prefeito de Santo André ainda não havia sido localizado, Siviero Júnior acompanha o caso. Ele ouviu o empresário Sérgio Gomes da Silva, que estava com Daniel na noite de sexta feira, quando houve o ataque dos sequestradores.
A investigação federal também apurará a atuação da Frente de Ação Revolucionária Brasileira (Farb), suposta entidade clandestina que teria enviado e-mails com ameaças à parlamentares e prefeitos do Partido dos Trabalhadores.
A PF acompanhava as primeiras investigações da Polícia Civil de maneira informal. O ministro da Justiça, Aloysio Nunes Ferreira, determinou que à corporação que abrisse o inquérito com base no Artigo 109 da Constituição, que define que crime político é da competência federal. Anteontem, a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) distribuiu uma nota, na qual sustenta que há vários indícios que tornam plausível a hipótese de crime político.
Para o presidente da associação, Flávio Dino, a atuação da Polícia Federal neste caso é imperativa.
Prisões - O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Saulo de Castro Abreu Filho, informou ontem que dois suspeitos do sequestro e assassinato do prefeito de Celso Daniel foram presos em Poços de Caldas, em Minas Gerais. Segundo o secretário, as primeiras informações apontam que um deles seria de Santo André.
O secretário, em entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes, disse também que serão investigadas as contradições no depoimento do empresário Sérgio Gomes da Silva, concedido anteontem à polícia. O empresário disse que a trava do carro de sua Pajero não funcionou, quando houve a abordagem dos sequestradores. De acordo com o secretário da Segurança, a perícia provou que isso não ocorreu. O fato de ter falhado em um ponto não quer dizer que ele (Silva) tenha falhado em todo o seu depoimento, ponderou Abreu Filho.
No depoimento, Silva também ajudou a montar o retrato falado de um dos criminosos, justamente o que tirou o prefeito de sua Mitsubishi Pajero. O retrato foi apresentado à imprensa pelo deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), que está acompanhando o caso a pedido da direção do partido.
De acordo com as descrições de Silva, o sequestrador era moreno, tinha 1,73 metro de altura, olhos e cabelos castanhos e aparentava idade entre 20 e 25 anos.
Ontem, o empresário que acompanhava Celso Daniel foi incluído no Programa de Proteção à Testemunha da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa Humana (DHPP) de São Paulo. A inclusão foi proposta pelo delegado Armando de Oliveira Costa Filho, da 1ª Delegacia do DHPP, que preside o inquérito que apura o assassinato.


