São Paulo - A Polícia Federal (PF) investigará indícios de fraudes em licitações feitas pelo Comando do Exército, Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), Empresa dos Correios e Telégrafos (ECT), Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) e Petrobras. As suspeitas de irregularidades apareceram durante as investigações da máfia do sangue, que atuava no Ministério da Saúde, e estão no relatório parcial das apurações que foi entregue ontem à Justiça. Pelo menos outros cinco inquéritos serão abertos na próxima semana em torno de outras ilegalidades supostamente ocorridas na área de saúde, até mesmo na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Um relatório de 36 volumes, referente à primeira fase de investigações feitas pela Polícia Federal no Ministério da Saúde, durante a Operação Vampiro, foi entregue ontem pelo delegado Arcelino Damasceno ao juiz da 10 vara da Justiça Federal, Clóvis Barbosa. De acordo com a Polícia Federal, 17 pessoas foram indiciadas por fraude em quatro licitações do Ministério da Saúde.
Os documentos tratam de licitações ocorridas nos últimos anos em que foram confirmadas fraudes, uma sobre a compra de insulina para diabéticos, outra realizada no início do ano referente à compra emergencial de medicamentos para os desabrigados das enchentes e ainda uma terceira, no valor de R$ 130 mil, cujo produto não foi identificado pela Polícia Federal. ''Nós vamos instaurar outros inquéritos para complementar a diligência. O Ministério Público é que vai fazer a denúncia e seguir com a ação penal'', afirmou o delegado Damasceno.
O relatório sobre a compra de hemoderivados, substâncias utilizadas na hemodiálise é alvo principal das investigações da Operação Vampiro, será entregue à Justiça Federal nas próximas semanas. Há cerca de um mês, a Polícia Federal prendeu 16 pessoas, entre servidores do Ministério da Ssaúde, empresários e lobistas, acusados de fraudar licitações para compra, no exterior, de derivados de sangue utilizados, principalmente, no tratamento de hemofílicos. O esquema de corrupção existia desde 1990 e há suspeita de que tenham sido desviados cerca de R$ 2 bilhões dos cofres públicos.

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