Rio de Janeiro - A Polícia Federal do Rio de Janeiro abriu inquérito para investigar um suposto esquema de fraude nas eleições para deputado estadual do ano passado. Com base em denúncia de um concorrente derrotado, Ronaldo Antônio da Silva, do PT do B, a PF apura uma suposta rede de venda de votos fraudados. Silva prestou depoimento no último dia 23 à Delegacia de Defesa Institucional. Ele questiona a segurança do sistema informatizado de votação e totalização dos votos. Silva apresentou à polícia uma gravação em que ele próprio conversa com um homem que cobra R$ 10 por voto adulterado, para favorecer candidatos nas eleições municipais do ano que vem. Segundo Silva, o esquema envolveria funcionários do TRE, o que será investigado pela PF.
O denunciante apresentou à PF cópias de boletins de totalização que, segundo ele, teriam resultados da apuração de 65% dos votos. Outro candidato derrotado do PT do B, Ronaldo Lessa, foi citado como prejudicado. Silva sustenta que o boletim com 65% da apuração realizada aponta 33.201 votos para Lessa.
O resultado oficial do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Rio indica que ele obteve apenas 1.731 votos. No próprio PT do B, porém, políticos consideraram elevada a votação de Lessa supostamente registrada no boletim eleitoral.
Segundo Silva, a vereadora Verônica Costa, ex-PL e hoje no PMDB, também teria sido lesada. Um terceiro caso seria de um candidato do PGT, partido agora incorporado pelo PL. Silva diz que Edson Fernandes teve mais de mil votos computados no boletim e no resultado do TRE aparece sem qualquer voto, nem o seu próprio. Ele está entre os 41 candidatos que tiveram votação zero.
O presidente do TRE do Rio, Álvaro Mayrink, não havia se pronunciado sobre as denúncias até o fim da tarde de ontem. Informalmente, funcionários do tribunal disseram que Ronaldo Antônio da Silva já fizera a denúncia no ano passado e que foi informado por técnicos do TRE que era impossível a adulteração de resultados.

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