Lino Ramos
De Londrina
A Polícia Federal em Londrina e Belo Horizonte investiga o elo entre contas fantasmas existentes no Banestado de Londrina e no Banco Safra, na capital mineira, abertas para lavagem de dinheiro e remessas para o exterior. O delegado da PF de Londrina, José Roberto Morel, não revelou detalhes da operação. ‘‘Nem eu sei do que se trata, é segredo de Justiça’’, desconversou. Em BH o responsável pelas investigações é o delegado Hélbio Leite.
Na semana passada, Leite e Morel se reuniram em Londrina com os promotores Bruno Galatti, Cláudio Esteves e Solange Vicentin, responsáveis pela investigação de irregularidades na prefeitura. No rastreamento dos R$ 16 milhões (cálculo da promotoria) desviados dos cofres públicos, o Ministério Público (MP) e a PF de Londrina encontraram cerca de 30 contas fantasmas na agência Centro do Banestado de Londrina.
Parte do dinheiro circulou em uma conta da empresa Freitas & Dutra, cuja identidade do titular e endereço são falsos. Segundo Esteves, a conta movimentou diariamente até R$ 300 mil. O doleiro apontado como o responsável pelas contas (cujo nome está em sigilo) será chamado a prestar depoimento ao MP. O superintendente regional do Banestado, José Colette, e o gerente da agência Centro, Wilson Maeda, já foram ouvidos pelo MP. A assessoria de imprensa do Banestado informou que a diretoria do banco irá aguardar o parecer do MP, da PF e do Banco Central.
Maeda pediu aposentadoria, mas, segundo a assessoria de imprensa, isso foi apenas coincidência. O caso AMA-Comurb também envolve a empresa Realty, de São Bernardo do Campo (SP), mas com 90% de capital uruguaio. Parte do dinheiro (R$ 200 mil) foi apreendida na conta de um médico em Goiás.
Ontem, a Polícia Civil e o MP ainda não haviam concluído o levantamento sobre os documentos apreendidos na sexta-feira na casa e na empresa de Cassimiro Zavierucha (‘‘Carlos Júnior’’), considerado o tesoureiro de campanha do deputado Antonio Carlos Belinati.

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