A Polícia Federal e a Procuradoria da República estão na pista de uma conta bancária que o juiz Nicolau dos Santos Neto teria nas Bahamas, paraíso fiscal situado entre a Flórida e Cuba. Correspondência interceptada pelos federais há 40 dias indica que o ex-presidente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) pode ter aplicações no Santander de Nassau.
As investigações sobre o patrimônio e o enriquecimento ilícito de Nicolau, iniciadas em 1999, mostram que o juiz foragido possui ativos na Suíça, Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha e Ilhas Cayman. Não havia indícios de uma conta nas Bahamas – sede da Hillside Trading, empresa de fachada que Nicolau constituiu em 1994. Em nome da Hillside, o juiz adquiriu o apartamento de US$ 1,1 milhão em Miami.
No início de outubro, os Correios entregaram um envelope na residência de Nicolau, na Rua Amarilis, no Morumbi. Uma das filhas do juiz estava na casa, mas se recusou a receber a correspondência. Agentes da PF e da Interpol (Polícia Internacional) que vigiam a casa permanentemente apreenderam o material.
Por uma questão legal, o envelope não foi aberto até agora. Os delegados que comandam as buscas a Nicolau querem ter acesso aos documentos porque suspeitam que os papéis podem indicar os passos mais recentes do juiz, que está com a prisão decretada desde 25 de abril.
O juiz federal Casem Mazloum, que conduz as ações penais sobre desvio de verbas do Fórum Trabalhista de São Paulo, não quer transgressões à Constituição. O artigo 5º da Carta Magna garante privacidade aos cidadãos. A legislação é clara: não permite violação de correspondência. Mazloum solicitou ao Ministério Público Federal que apresente justificativa para que o envelope seja aberto. A procuradora-chefe da República em São Paulo, Janice Ascari, argumentou ‘‘interesse público e da investigação’’.
Por cautela, no dia 11 de outubro o juiz enviou ofício ao ministro José Gregori, da Justiça, recomendando a realização de contatos com autoridades de Nassau para eventual bloqueio de recursos de Nicolau naquele paraíso fiscal. Até agora, o governo brasileiro não tomou providências.

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