A Polícia Federal (PF) de Londrina vai criar nos próximos dias uma força-tarefa para investigar dois assessores e a esposa do deputado federal José Janene (PP), suspeitos de lavagem de dinheiro e de crime contra o sistema financeiro. A medida complementa os nove mandados de busca e apreensão efetuados ontem na cidade (cinco) e em São Paulo (três na capital, um em Barueri), pela ''Operação Lavaduto'', na tentativa de colher provas e instruir as investigações que começaram em março de 2004. Segindo a PF, pelo que já foi apurado, é possível que assessores do ex-líder do PP tenham usado dinheiro do ''valerioduto'' para adquirir propriedades em nome da esposa de Janene, Stael Fernanda.
De acordo com o delegado que preside o inquérito, Gerson Machado, o trabalho de apuração corria em segredo de justiça desde 2004. Em março daquele ano, a PF de Londrina foi comunicada pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) de que o assessor parlamentar Meheidin Hussein Jenani (primo do parlamentar) teria uma movimentação financeira cerca de 300 vezes maior que o declarado à Receita Federal. Uma vez analisada a declaração e a quebra de sigilo bancário, os policiais constataram que a suspeita procedia.
Pelas movimentações financeiras de Jenani, a PF chegou à esposa dele, Rosa Alice Valente, também assessora do deputado. A partir dela, chegou-se a Stael. ''Analisamos as informações e, de posse do relatório final da CPMI Correios segundo o qual Rosa recebeu dinheiro do valerioduto via corretora Bônus Banval , detectamos uma série de depósitos da Bônus em 2004 nas contas de Stael, Meheidin e Rosa. Dentro dessas movimentações, tentamos localizar outros depositários, e conseguimos'', disse Machado.
Além da corretora, a PF chegou também a duas empresas de São Paulo, a Taha, supostamente do investidor Naji Nahas, cujo capital 99% é de uma offshore panamenha, e uma empresa de Barueri, ainda não localizada. ''Essa (de Barueri) fez diversos depósitos fracionados na conta do assessor. Já a Taha tem um labirinto intrincado de depósitos muito suspeitos nas contas dos três. Parece ser uma empresa de fachada, de lavagem. Em virtude disso pedimos provas, por meio dos mandados de busca, para tentar esclarecer os fatos'', complementou o delegado.
Stael, Jenani e Rosa Alice devem ser chamados para depor na próxima semana, depois que os oito malotes com o material apreendido forem abertos. Em relação a Janene, salientou o delegado-chefe da PF em Londrina, Élcio Fuscolin, não há investigação em curso. ''Ele tem foro prvilegiado; estamos apurando as ações de assessores dele'', reforçou. Mesmo assim, o delgado Machado deu a dica: ''Se o Supremo (Tribunal Federal) ou o Conselho de Ética (do Congresso) quiserem ir atrás e apurar também, vamos ajudar com o maior prazer''.

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