A Promotoria Eleitoral de Londrina requisitou ontem à Polícia Federal abertura de inquérito para investigar o anúncio publicado pelo desempregado Osmar de Angeli na última quinta-feira, vendendo seu voto. Ele foi ouvido ontem pela manhã pelo promotor Bruno Galatti, que determinou abertura de inquérito para apurar o anúncio, já que se trata de crime eleitoral.
O delegado-chefe da Polícia Federal de Londrina João Luiz do Prado disse ontem que aguarda o envio do pedido pela promotoria para designar um delegado para as investigações. A princípio o delegado terá 30 dias para concluir o inquérito, que pode ter o prazo ampliado.
Ontem à tarde o desempregado justificou à Folha que publicou o anúncio como forma de tentar arrumar um emprego temporário na campanha deste ano. Outro objetivo, contou ele, era protestar contra a política atual, marcada por sucessivos escândalos.
‘‘Estou assustado; não sabia que se tratava de um crime eleitoral’’, afirmou o desempregado. Ele disse que teve a idéia de publicar o apelo ‘‘Vendo meu voto. Garanto sigilo absoluto’’ por estar passando dificuldades. Ele trabalhava no Ceasa de Londrina e agora, sem emprego, enfrenta problemas para sustentar os três filhos. Nenhum político o procurou para oferecer trabalho. Apesar disso, ele agora responde a processo que pode resultar em até quatro anos de reclusão.
‘‘Eu pensava em desabafar para o candidato. Dizer o que penso sobre a política’’, justificou. Antes de publicar o anúncio, Osmar de Angeli conta que percorreu vários comitês oferecendo trabalho. Não obteve sucesso. ‘‘Houve um caso de uma pessoa que disse que só estaria contratando mulher nestas eleições. Me revoltei’’, afirmou.
Sobre política, ele conta que sempre votou, cumprindo à risca sua obrigação com a Justiça Eleitoral. ‘‘Também nunca deixei de acreditar no voto.’’ Ele afirmou que agora espera que as autoridades entendam que o anúncio era apenas uma forma de tentar arrumar trabalho e de protesto.
‘‘Aliás meu voto já está definido. Posso até trabalhar para um candidato, mas ninguém vai comprar minha escolha’’, afirmou ele, ciente da obrigação de eleitor. (P.L.)

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