A Polícia Federal (PF) de Londrina começou esta semana a receber extratos bancários do Banestado mostrando a movimentação de 30 contas fantasmas abertas em agências de Londrina. A quebra de sigilo bancário dos titulares das contas foi determinada pela Justiça Federal no mês passado, a pedido da própria PF. O delegado Sandro Roberto Viana dos Santos, responsável pelos inquéritos (um para cada conta) também aguarda do banco novos extratos, DOCs (Documentos de Ordem de Crédito) e cópias de cheques, além de originais dos contratos sociais das empresas.
Santos destacou que o caso corre em segredo de Justiça e por isso não pode divulgar detalhes da investigação – como o período de movimentação, valores ou nomes dos titulares. A Folha apurou, no entanto, que o movimento diário dessas 30 contas seria de aproximadamente R$ 200 mil. A operação teria ocorrido durante dois ou três meses de 1998 e 1999, o que poderia representar um valor superior a R$ 100 milhões.
Os contratos sociais de todas as empresas foram confeccionados num escritório de contabilidade de Londrina. O proprietário do escritório – cuja identidade não foi divulgada – disse em depoimento que as empresas foram abertas a pedido de João Edson Danzienger, funcionário público municipal que também seria o responsável pelas empresas Danki Representações e a JJ Representações, usadas na lavagem de dinheiro no esquema de contas CC-5. Somente essas duas empresas (investigadas em outros inquéritos na PF) enviaram para o exterior mais de R$ 6,5 milhões.
A existência de contas fantasmas em agências do Banestado foi descoberta pelo Ministério Público, durante o rastreamento do dinheiro desviado da Prefeitura de Londrina no escândalo AMA-Comurb. O MP apurou que que parte desses recursos passou pelas contas de pelo menos duas empresas fantasmas, uma delas a Freitas & Dutra, de Londrina, que utilizou a fotografia de um ‘‘laranja’’ de Florestópolis (73 km ao norte de Londrina) para abrir a conta no Banestado.
A outra é a Realty Participações, de São Bernardo do Campo (SP), que ‘‘lavou’’ mais de R$ 1,5 milhão do dinheiro desviado de Londrina em conta do banco Meridional. A Realty tem 99% do capital pertencentes à Norgrend Sociedad Anonima, de Montevidéu. Essa empresa é a mesma utilizada pelo ex-presidente Fernando Collor de Mello na ‘‘Operação Uruguai’’, para justificar pagamento de despesas pessoais.
Na semana passada, o delegado da PF esteve em São Bernardo para tentar localizar Márcio Luchesi, responsável pela Realty, mas não o encontrou. O endereço da empresa é residencial e nenhum parente soube dizer o paradeiro do empresário. Ainda segundo o delegado, Luchesi morou em São Bernardo num condomínio de luxo e só trafegava em veículos importados.
Nas próximas semanas, a PF deverá ouvir do superintendente do Banestado em Londrina, José Collete. Ele também teria tido problema com contas fantasmas quando foi gerente de uma agência Banestado em Curitiba.

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