PF instaura inquérito contra Jader
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segunda-feira, 11 de junho de 2001
Agência Folha De Brasília 
A Polícia Federal instaurou ontem inquérito para apurar denúncias sobre o suposto envolvimento do presidente do Congresso, senador Jader Barbalho (PMDB-PA), e de outras quatro pessoas acusadas de terem participado de uma operação fraudulenta para comprar 55,2 mil Títulos da Dívida Agrária (TDAs).
O inquérito, cuja abertura foi proposta pelo procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, no sábado passado, tem um rol mais amplo a investigar. Poderão ser interrogadas todas as pessoas citadas nas denúncias divulgadas pela revista IstoÉ, que apontou Jader como o suposto destinatário de um cheque para o pagamento das TDAs a transação totalizaria R$ 5,3 milhões.
Jader se antecipou aos fatos e tornou pública sua intenção de depor espontaneamente o mais rápido possível. Nomeado para presidir o inquérito, o delegado Luis Fernando Ayres Machado, da Divisão de Combate ao Crime Organizado e Inquéritos Especiais, pode convidar o senador para depor a qualquer momento, mas provavelmente ele não será o primeiro a ir à PF.
A reportagem afirma que a revista possui uma fita em que o banqueiro Serafim Rodrigues de Moraes e sua mulher, Vera Arantes Campos, em conversa com o advogado Gildo Ferraz, contam terem visto quando o cheque, que sacramentou as compras das TDAs, passou das mãos de seu destinatário, Vicente de Paula Pedrosa da Silva, para as de Jader.
Nos diálogos reproduzidos, o encontro entre Silva e Jader aconteceu em um hotel, em São Paulo. Na sexta-feira passada, Serafim, Vera e o advogado Ferraz se apresentaram espontaneamente ao procurador Luiz Augusto Santos Lima, do Ministério Público Federal (MPF) em Brasília. Gildo disse se lembrar de uma gravação. Mas Serafim e sua mulher negaram ter mencionado qualquer participação do senador como está dito na revista, declarou o procurador.
Lima conduziu no MPF a ação criminal, citada pela IstoÉ, na qual parte da história relatada na reportagem está descrita. Denunciados pelo procurador, quatro réus foram condenados pela Justiça Federal de Brasília. O processo está em fase de notificação de sentença e recurso. Entre os réus está Vicente Pedrosa da Silva. Não consta dos autos, no entanto, segundo Lima, o cheque resultante da venda das TDAs.
O procurador não apresentou denúncia contra Jader no caso. Na época do negócio, o senador era ministro da Reforma Agrária e encaminhou ao presidente José Sarney a documentação para caracterizar como de interesse social as áreas da fazenda Paraíso, cuja desapropriação gerou os 55,2 mil TDAs.
O Bloco Oposição no Senado se reunirá hoje para definir como as acusações contra Jader devem ser apuradas: através de CPI específica, pelo Conselho de Ética e Decoro Parlamentar ou deixar que as investigações fiquem restritas ao Ministério Público (MP) ou à Polícia Federal (PF).
O PPS, por exemplo, proporá a abertura de investigação. A investigação tem de ser feita, sob pena de inviabilizar a gestão do próprio Jader à frente da presidência do Senado, afirmou o líder do PPS, senador Paulo Hartung (ES).


