A Polícia Federal (PF) indiciou ontem o empresário Fausto Solano Pereira, dono da corretora Boa Safra, e apontado como um dos principais envolvidos no esquema de lavagem do dinheiro dos precatórios. Pereira foi enquadrado por crime financeiro (Lei do Colarinho Branco), sonegação fiscal e formação de quadrilha ou bando.
Segundo a PF, Solano é um dos acusados de participação em fraudes com letras financeiras dos Estados de Pernambuco e Santa Catarina e dos municípios de São Paulo, Guarulhos, Osasco e Campinas. A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Títulos Públicos identificou depósitos de R$ 9,7 milhões na conta do empresário. O cheque para Pereira foi emitido em 24 de outubro pela IBF Factoring, empresa que operava como recrutadora de pessoas que atuavam como laranjas no esquema de pulverização dos recursos obtidos com as operações irregulares.
O inquérito contra o dono da Boa Safra foi instaurado ontem, com outros cinco inquéritos que apuram fraudes na venda e na emissão de títulos envolvendo os corretores e investidores Ibrahim Borges Filho, dono da IBF, Fábio Pazzanesi Filho, um dos sócios da corretora Negocial, o doleiro Manoel Moreira Neto, que movimentou R$ 750 milhões dos precatórios, de Luíz Calábria e Rubens Cemci, ambos da Perfil. Esta empresa contratou o ex-coordenador da dívida pública da Prefeitura de São Paulo, Wagner Baptista Ramos, para prestar consultoria ao banco Vetor e aos governos de Pernambuco e Santa Catarina.

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