Fortaleza, CE - O prefeito de Fortaleza, Juraci Magalhães, 72, e seu genro, o deputado estadual Sérgio Benevides, 45, ambos do PMDB, foram indiciados pela Polícia Federal pelo suposto envolvimento no desvio de recursos da merenda escolar do município de 1998 a 2000. O total do desvio estimado é de R$ 1,8 milhão.
O caso ficou conhecido como escândalo da merenda escolar e foi alvo de uma CPI na Câmara Municipal de Fortaleza, que durou de setembro a dezembro do ano passado. O relatório final da CPI sugeriu a cassação dos dois políticos. O processo de impeachment contra o prefeito foi arquivado. Já o pedido de cassação de Benevides chegou a ser votado no plenário da Assembléia Legislativa do Ceará, mas foi rejeitado pela maioria dos deputados, em julho deste ano.
Outras seis pessoas também foram indiciadas pela PF pelo suposto envolvimento no caso. Além do indiciamento, o delegado da PF Cláudio Joventino solicitou o sequestro dos bens dos envolvidos. O relatório foi remetido ao TRF (Tribunal Regional Federal) da 5 Região, no Recife, que irá decidir as providências a serem tomadas. O processo foi remetido para o TRF porque trata de desvio de verba federal e também porque o prefeito e o deputado têm foro privilegiado.
As primeiras acusações de desvio de verbas da merenda escolar apareceram em meados do ano passado, com a divulgação de uma auditoria do TCU (Tribunal de Contas da União), que condenou a contratação de empresas para o fornecimento de merenda sem licitação. De 1998 a 2000, foram contratadas três empresas, a J&D Comercial e a Mares, que pertenciam à mesma pessoa, Jessé Bezerra Araújo, e a Hortafácil. As três tinham em comum o mesmo procurador, Alexandre Cals Gaspar, assessor do deputado Sérgio Benevides.

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