PF indicia Pizzolato em nove crimes
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sábado, 01 de novembro de 2014
Andreza Matais<br>Agência Estado 
Brasília - A Polícia Federal indiciou o ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato em nove crimes cometidos pelo executivo na fuga do Brasil para a Itália, escapando da condenação pelo seu envolvimento no esquema do mensalão. Os indiciamentos são referentes ao uso de documentos falsos, em nome do seu irmão Celso Pizzolato, falecido em abril de 1978.
Os crimes são falsidade ideológica e uso de documento falso, cometido mais de uma vez no Rio de Janeiro e Santa Catarina, nas cidades de Florianópolis e Lages. A pena pode variar de um a cinco anos de reclusão. Pizzolato fugiu do Brasil usando esses documentos em nome de um irmão morto na década de 70. Ele requereu para Celso Pizzolato, RG, CPF, título de eleitor e passaportes brasileiro e italiano. Este último emitido pelo consulado da Itália no Brasil. Pizzolato chegou a votar na eleição municipal de 2008 com esse título falso. Uma forma de dar veracidade ao seu plano de fuga.
Se for condenado, contudo, a pena só será cumprida se Pizzolato for extraditado para o Brasil - o que já foi negado pela Justiça Italiana numa primeira decisão. Nesta semana, a Justiça Italiana rejeitou pedido do governo brasileiro para que ele fosse devolvido ao Brasil para cumprir a pena de 12 anos e 7 meses por formação de quadrilha, peculato e lavagem de dinheiro. Como diretor de marketing do BB, Pizzolato teria autorizado transferência de R$ 73 milhões do Fundo Visanet (administrado pelo Banco do Brasil) para as agências do empresário Marcos Valério, operador do esquema do mensalão. Ao deixar a cadeia, Pizzolato negou que tivesse fugido. "Salvei minha vida", declarou. O Ministério Público, contudo, recorreu da sentença.
Pizzolato fugiu do País em outubro de 2013, mas sua fuga foi planejada desde 2007. Nesse ano, ele requereu o primeiro documento em nome do irmão morto 29 anos antes: um passaporte. Todos os passos para a fuga foram considerados criminosos pela PF. Um dos passos mais polêmicos foi a tentativa de simular a própria morte, ao registrar em cartório sua intenção de que quando morresse não deveria haver "velório, homenagem, celebração nem missa de sétimo dia". Esse caso, contudo, não foi denunciado no inquérito.
Uma das pistas que levaram a polícia a encontrar o paradeiro de Pizzolato na Itália foi sua passagem pelo aeroporto de Buenos Aires. Na capital argentina é preciso registrar a impressão digital e ser fotografado antes de embarcar. Pizzolato foi descoberto na cidade de Maranello escondido na casa de um sobrinho em fevereiro deste ano. Até chegar a Itália ele passou por Buenos Aires e por Barcelona, na Espanha.


