PF indicia ''laranja'' por estelionato
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quinta-feira, 12 de abril de 2001
Lino Ramos De Londrina 
O lavrador José Aparecido dos Santos, de 39 anos, de Florestópolis, foi indiciado ontem na Polícia Federal (PF) de Londrina por estelionato e falsificação de documentos. Santos foi usado como laranja no processo de abertura de uma conta no Banestado em nome da empresa fantasma Freitas & Dutra. Ele alega que sua foto foi usada na identidade em nome de Luiz Carlos de Freitas. O lavrador esteve ontem de manhã na sede da PF prestando depoimento no inquérito que apura as contas fantasmas.
Na conta da Freitas & Dutra circularam R$ 120 mil desviados da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA), através de licitações fraudulentas. Com base em depoimentos de funcionários do Banestado, o Ministério Público (MP) de Londrina atribuiu a responsabilidade dessa conta ao doleiro e empresário londrinense Alberto Youssef. Ele chegou a ser preso (junto com outros dois acusados), mas foi liberado anteontem por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília.
O indiciamento de Santos não tem ligação com a investigação sobre as 37 contas fantasmas abertas em várias agências do Banestado. Segundo o delegado da Polícia Federal, Pedro Paulo de Figueiredo, o lavrador teria feito a abertura de uma conta no banco Bilbao Vizcaya Brasil usando documentos falsos em nome de José Luiz dos Santos. Em seguida, ele teria emitido um cheque de R$ 463,00 para os Correios, que voltou por falta de fundos e a conta foi encerrada.
Ele negou que havia assinado, mas nossa perícia grafotécnica confirmou que ele assinou e preencheu o cheque, contou o delegado. Segundo ele, o crime de estelionato passou a ser investigado pela PF por ter sido praticado contra uma empresa pública, o que torna o delito qualificado.
O delegado da PF disse ainda que o lavrador não esclareceu o que teria comprado nos Correios. Santos não deu declarações na Polícia Federal e pediu para se pronunciar somente em juizo. A pena para os crimes de esteleionato e falsificação de documentos varia de 1 a 5 anos para cada delito, aumentando em um terço com a qualificação.
Ao deixar a PF, Santos contou que está desempregado e foi chamado para dar continuidade às declarações sobre o envolvimento dele no esquema de contas fantasmas. O lavrador disse que ficou sabendo que sua foto havia sido usada indevidamente, quando viu uma reportagem na TV sobre o caso. Ele afirmou que sofreu diversas ameaças e recebeu até a proposta de uma viagem para São Paulo, oferecida por rapaz chamado Lorival, que seria o responsável pelo uso indevido de seu nome.
Santos disse ainda que em agosto do ano passado sua mulher faleceu, depois de entrar em depressão por causa das pressões sobre ele. Ela ficou deprimida com medo de alguma coisa pior acontecer comigo e sofreu um ataque cardíaco. Agora estou me virando para cuidar de meus dois filhos, relatou.
O advogado do lavrador, Vilson Donizeti Galvão, acredita que será possível provar a inocência do seu cliente. Eu entendo que ele é vítima, embora a autoridade policial possa até indiciá-lo como de fato o indiciou em inquérito policial , afirmou. Ele vai responder e no final acredito que será absolvido. De acordo com Galvão, Santos teria preenchido o cheque para Lorival pagar uma conta.


