PF indicia ex-secretário da Casa Civil que vazou dossiê
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sexta-feira, 16 de maio de 2008
Gabriela Guerreiro<br>Folhapress 
Brasília - A Polícia Federal (PF) indiciou ontem o ex-secretário de Controle Interno da Casa Civil José Aparecido Nunes Pires pelo crime de violação do sigilo funcional, com base no artigo 325, parágrafo 2º do Código Penal. A pena para esse crime é de detenção de 6 meses a 2 anos ou multa, se o fato não constituir crime mais grave. Com o indiciamento, o delegado da PF, Sérgio Menezes, confirma a tese de que Aparecido é responsável pelo vazamento de informações sobre os gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. para André Fernandes, assessor parlamentar do senador Alvaro Dias (PSDB-PR). O ex-secretário depôs ontem por cerca de três horas para o delegado Sérgio Menezes, responsável pelo inquérito que investiga o vazamento do dossiê.
De acordo com a PF, Aparecido respondeu a todas as perguntas feitas pelo delegado no depoimento, não se recusando a falar sobre nenhum assunto. A PF encaminhou as cópias dos depoimentos de Aparecido e de Fernandes - que foi ouvido na semana passada - para a CPI dos Cartões. Aparecido foi o primeiro a ser indiciado nesse inquérito. A PF já ouviu dez pessoas - inclusive Fernandes e outros funcionários da Casa Civil, onde o dossiê foi montado.
A saída do ex-secretário da Casa Civil da PF foi tumultuada. Cercado por jornalistas, ele deixou a PF sem falar com a imprensa. O advogado de Aparecido, Luiz Maximiliano Telesca, disse apenas que o depoimento foi ''muito bom''. A PF já conseguiu identificar o responsável por repassar ao ex-secretário o dossiê. Menezes disse que as investigações já apontaram o computador do qual o dossiê foi encaminhado a Aparecido. Mas ele manteve o nome do servidor sob sigilo.
A presidente da CPI dos Cartões, senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), recebeu do delegado Sérgio Menezes cópias dos depoimentos de José Aparecido e de André Fernandes. Serrano afirmou que os documentos serão colocados em um cofre até terça-feira. Ela e o delegado Menezes ficaram reunidos por menos de meia hora. Na terça, a senadora fará uma reunião fechada com os integrantes da CPI para a leitura dos depoimentos e discussão a respeito das informações contidas neles. Em seguida, será aberta a sessão da comissão para tomar os depoimentos dos dois assessores de portas fechadas.


