PF indicia ex-assessor executivo dos Correios
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segunda-feira, 06 de junho de 2005
Folhapress 
Brasília - A Polícia Federal (PF) indiciou ontem pelos crimes de corrupção passiva e fraude a licitações o ex-assessor-executivo da Diretoria de Administração dos Correios Fernando Godoy. Funcionário de carreira dos Correios, Godoy foi indiciado após prestar seu segundo depoimento à PF, no qual ele teria omitido dos investigadores o fato de ter estado por duas vezes no edifício-sede da empresa, em Brasília, no dia 14 de maio. Ao todo, ficou cerca de três horas e meio no prédio. A data corresponde ao sábado em que ''Veja'' divulgou o conteúdo de uma gravação na qual o ex-chefe do Departamento de Contratação e Administração de Material dos Correios Maurício Marinho conta a dois supostos empresários como funcionaria um esquema de corrupção dentro da empresa e é flagrado recebendo R$ 3 mil.
Questionado sobre o que fez naquele dia, Godoy inicialmente disse que seguira sua rotina, o que incluía uma ida ao supermercado. Negou textualmente ter ido à empresa. Confrontado com os registros de sua presença na sede dos Correios, entrando e saindo pela garagem, o ex-assessor disse ''desconhecer'' o fato. A agenda de trabalho de Godoy, requisitada aos Correios pelo Ministério Público, não foi encontrada na empresa. As pertencentes a Marinho e ao ex-diretor de Administração Antônio Osório foram recolhidas pelos procuradores que trabalham no caso.
Ontem, no depoimento, Godoy afirmou que vira sua agenda de trabalho pela última vez nas mãos de suas secretárias, que devem ser ouvidas hoje pela PF. Ele disse que tentará localizar o documento, no qual constam os registros das audiências concedidas pelo servidor e das ligações que fez e das que recebeu.
Para os investigadores, o fato de omitir sua ida aos Correios é um forte indício de que Godoy teria tentado suprimir provas relevantes para a investigação. Também seria um indicativo de que há um fundo maior de verdade na afirmações de Marinho sobre o suposto esquema de corrupção nos Correios. Desde que a gravação se tornou pública, ele vem tentando reduzir suas declarações à condição de ''bravatas''. Ao ser questionado sobre indícios de desequilíbrio entre sua renda e o patrimônio que declarou à Receita, Godoy afirmou ter recebido dinheiro por operações de corretagem de imóveis. O rendimento extra não teria sido informado ao fisco. O servidor dos Correios disse também que, em vez dos cerca de R$ 800 mil em bens declarados à Receita, o valor real de seu patrimônio seria de R$ 1,5 milhão.
A equipe técnica da PF analisará as declarações de renda de Godoy referentes aos últimos cinco anos para verificar eventuais furos nas informações prestadas ao fisco.
No inquérito que investiga irregularidades praticadas no IRB (Instituto de Resseguros do Brasil), a PF deve ouvir ainda nesta semana o ex-presidente da empresa Lídio Duarte. Em seu depoimento, na condição de testemunha - e, portanto, obrigado a dizer a verdade -, ele negou ter concedido entrevista à ''Veja''. No entanto, em sua última edição, a revista tornou pública uma gravação em áudio na qual Duarte afirma ter sido pressionado para pagar, por meio de práticas irregulares dentro da empresa, uma mesada mensal de R$ 400 mil ao PTB.


