PF indicia 24 pessoas pela fraude dos selos
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sábado, 19 de julho de 2008
Elder Ogliari 
Porto Alegre - A Polícia Federal indiciou 24 pessoas por participação no desvio R$ 2,8 milhões em selos da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul entre 2004 e maio de 2007, quando a fraude foi descoberta. Estão na relação o ex-diretor administrativo da Assembléia Legislativa, Ubirajara Amaral Macalão, os deputados estaduais Kahlil Sehbe (PDT) e Paulo Brum (PSDB), o ex-candidato ao parlamento italiano Adriano Bonaspetti, funcionários do Legislativo e empresários. O inquérito foi encerrado na sexta-feira, depois de um ano de investigações, e remetido ao Tribunal Regional Federal da 4 Região.
Segundo o delegado Andrei Augusto Passos Rodrigues, Macalão comandava o esquema, mas havia uma cadeia de operadores e de pessoas que também se beneficiavam de lucros ilegais. O ex-diretor administrativo foi acusado de adulterar notas fiscais para fazer a Assembléia pagar selos que eram desviados com descontos para terceiros e depois recolocados no mercado. Para isso, ele contava com ajuda de um representante comercial dos Correios, que teria facilitado as operações, e com um distribuidor, que revendia os selos para agências lotéricas, escritórios e empresas.
A investigação indicou que Sehbe, Brum e Bonaspetti, que concorreu à vaga de representante sul-americano no parlamento italiano, compraram selos do esquema montado por Macalão para suas campanhas eleitorais em 2006. Os dois deputados estaduais, indiciados por peculato doloso e utilização de documento falsificado, admitiram que compraram selos da MR Entregas, franqueada dos Correios, por indicação do então diretor administrativo da Assembléia. Mas alegam que não sabiam que os selos chegavam ao fornecedor por meios ilícitos, se disseram enganados por ele e prometem provar inocência na Justiça. As ligações feitas pelo Estado para o telefone de Bonaspetti não foram atendidas neste sábado. O italiano foi indiciado por peculato doloso.


