Edson Luiz
Agência Estado
De Rio Branco
Para evitar a fuga do ex-deputado Hildebrando Pascoal, que foi cassado e está preso desde o ano passado, a Polícia Federal montou um forte esquema de segurança em Rio Branco (AC), instalando até um alambrado eletrificado na Cadeia Especial Federal, onde Pascoal ficará a partir de hoje, junto com outros 35 presos. Mesmo assim, Pascoal permanecerá bem próximo a seus ex-comandados na PM, já que o presídio – o primeiro no País – está dentro do 1º Batalhão, unidade que Pascoal comandou antes de se tornar deputado.
Como nenhum Estado queria receber o grupo de 39 presos ligados a Pascoal, o Ministério da Justiça foi obrigado a construir a cadeia às pressas. O presídio já é conhecido por ‘‘Papudinha’’, por ser considerada tão segura quanto a Papuda, o presídio de segurança máxima de Brasília.
Os 15 primeiros detentos chegaram com o presídio ainda em obras, já que não poderiam mais permanecer em Brasília. A transferência de Pascoal, que está no quartel da PM do Acre, estava prevista para a semana passada, mas foi adiada por falta de segurança. O governo do Estado se comprometeu, mas ainda não construiu guaritas e nem construiu o muro que iria isolar o local das demais dependências da PM.
Pascoal ficará no local até ser julgado, já que o minipresídio será destinado a detentos sem condenação. A preocupação do governo é com a proximidade de Pascoal com seus ex-comandados, com quem ainda mantém boas relações ou exerce um poder de intimidação. ‘‘Temos que admitir que ele ainda tem influência e amizades dentro da PM’’, afirma a secretária de Segurança do Acre, Salete Maia. ‘‘Mas vamos confiar na Polícia’’.
Durante 90 dias, a cadeia ficará sob a responsabilidade da PF, que transferiu 50 agentes de outros Estados para fazer a vigilância. ‘‘Estamos preparados para o inimaginável’’, diz o delegado Marcos Van Der Veen Cotrim, que irá administrar o presídio. Os federais foram treinados pelo Exército durante 15 dias antes de viajarem para o Acre.
Enquanto estiver sob sua guarda, a PF nada poderá fazer para impedir a proximidade dos policiais militares e seus familiares, que diariamente frequentam a Policlínica da PM, no local. Alguns deles são ligados a policiais e ex-policiais que estão detidos junto com Pascoal.