Brasília - Arapongas da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) trabalharam dentro da sede da Polícia Federal e realizaram uma série de escutas telefônicas clandestinas, sem autorização judicial para ajudar o delegado Protógenes Queiroz na Operação Satiagraha, que investigou uma suposta rede de corrupção envolvendo o banqueiro Daniel Dantas, informou a revista IstoÉ desta semana. Os arapongas teriam gravado conversas de 18 senadores, 26 deputados e dois integrantes do alto escalão do governo - Gilberto Carvalho, chefe de gabinete do Presidente Lula, e Dilma Rousseff, ministra-chefe da Casa Civil.
Segundo a reportagem, Francisco Ambrósio do Nascimento, um ex-agente do extinto Serviço Nacional de Informação (SNI), teria coordenado a equipe de arapongas a partir de uma sala que passou a ocupar no edifício-sede da PF em Brasília, e que fica em frente ao gabinete do diretor da Divisão de Inteligência da PF, Daniel Lorenz. Para entrar no prédio da PF, diz o texto, ele usava a senha de uma funcionária.
A IstoÉ revela que, em conversas com amigos, Ambrósio teria dito que ''o Protógenes tem em mãos um arsenal que destrói o governo passado, o atual e o próximo''.
A reportagem também informa que Lorenz encontrou um agente da Abin chamado Márcio Seltz nas dependências da PF e perguntou o que ele fazia ali. A resposta teria sido: ''Trabalho para o Protógenes''.
Depois, Lorenz teria dito a Protógenes que a presença de agentes da Abin na PF era inaceitável e ameaçou removê-lo do comando da Satiagraha. Protógenes teria replicado com a ameaça de divulgar gravações de conversas dele com Lorenz e Corrêa, grampeadas pelo próprio delegado - por norma interna da PF, delegados podem gravar suas próprias conversas com terceiros.
Depois da conversa, Protógenes seguiu comandando a operação, não mais na sede da PF, mas a partir de um conjunto de salas comerciais.
De acordo com a revista, Lacerda, teria dito, em conversas reservadas com amigos, que o ministro da Justiça, Tarso Genro, nomeou Corrêa para chefiar a PF com o objetivo de brecar as investigações da Satiagraha, que poderiam atingir algumas alas do PT.
Ao tomar conhecimento da reportagem, o presidente do STF, Gilmar Mendes, disse que vai esperar o resultado das investigações. A assessoria da Presidência da República não quis comentar a reportagem da revista. O general Jorge Félix, chefe do gabinete de Segurança Institucional (GSI), a quem é subordinada a Abin, disse apenas que ''um dos objetivos do inquérito (da PF) é apurar o papel da agência na Satiagraha''.

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