PF flagra Dirceu ao rastrear envolvidos com dossiê Vedoin
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sexta-feira, 20 de outubro de 2006
Vannildo Mendes<br>Agência Estado 
Brasília - Depois de um dia de suspense, a Polícia Federal (PF) apresentou ontem ao País a pessoa ''conhecida e importante'' apanhada no rastreamento telefônico dos envolvidos no dossiê Vedoin. Para a PF, foi o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, quem ligou para Jorge Lorenzetti, ex-coordenador do setor de inteligência da campanha pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva dias antes da prisão de dois petistas, num hotel de São Paulo, com R$ 1,75 milhão para compra do dossiê.
A oposição desconfiou imediatamente desta versão. ''É mais uma farsa do governo para dizer que o chefe da operação não é Lula'', acusou o líder da minoria na Câmara, deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA). Para o senador Arthur Virgílio, líder do PSDB no Senado, o surgimento do nome de Dirceu é uma manobra para livrar imputações criminais contra Lula, a seu ver o verdadeiro mentor da armação. ''Isso mostra o tamanho do banditismo político desse governo, que não hesita em lançar mão de paus mandados para se livrar da lei'', afirmou.
O rastreamento alcançou 800 linhas telefônicas com as quais oito personagens centrais do dossiê Vedoin se relacionaram de 15 de agosto a 15 de setembro. Dias antes da prisão dos petistas, Lorenzetti ligou para Dirceu, que retornou a ligação. A PF não decidiu se vai convocar ex-ministro para depor porque o surgimento do nome dele não é evidência de envolvimento com o crime investigado, segundo informou o delegado Diógenes Curado, encarregado do inquérito.
Curado entregou ontem à Justiça Federal do Mato Grosso o relatório parcial das investigações, com dez páginas. Ele pediu mais prazo e espera concluir as investigações em 30 dias. O rastreamento telefônico, incluído no relatório, mostra várias ligações do ex-presidente do PT e ex-coordenador da campanha pela reeleição de Lula, Ricardo Berzoini, para os principais envolvidos no dossiê.
Conforme a PF, os usuários e proprietários dessas 800 linhas mantiveram contato naquele período com o grupo de petistas sob suspeita Freud Godoy, Hamilton Lacerda, Expedito Veloso, Osvaldo Bargas, Jorge Lorenzetti, Gedimar e Valdebran.
A próxima fase do inquérito começa segunda-feira com o depoimento do empresário Abel Pereira. Assessor do ex-ministro da Saúde Barja Negri, ele seria um dos operadores da máfia dos sanguessugas no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.


