Brasília - A Polícia Federal apreendeu ontem sete malas de dinheiro, no aeroporto de Brasília, que estavam em poder do deputado João Batista Ramos da Silva (PFL-SP), bispo da Igreja Universal do Reino de Deus. A contabilidade do dinheiro, que não havia sido finalizada até fechamento desta edição, estava em R$ 4,96 milhões, mas a PF estimava que poderia chegar a R$ 10 milhões.
O deputado João Batista foi levado ontem à Superintendência da Polícia Federal em Brasília para prestar esclarecimentos sobre os milhares de reais em dinheiro vivo que transportava. Ele e outras seis pessoas - dois pilotos, dois pastores da Universal e suas mulheres - foram abordados, depois de a PF receber uma denúncia anônima, quando se preparavam para deixar o hangar da TAM em Brasília, rumo a Goiânia, por volta das 10h.
Segundo os agentes que acompanharam o caso, todas as sete malas estavam lotadas de cédulas de diversos valores -variavam de R$ 5 a R$ 100. O volume de dinheiro era tão grande que foram requisitadas do Banco do Brasil cinco máquinas para contagem de cédulas, duas das quais tiveram problemas ao longo do dia. No final da tarde, a PF deteve onze homens armados - oito pistolas e dois revólveres - na ''área externa das instalações da Superintendência''.
Seriam policiais militares, à paisana, que trabalhariam como segurança da Rede Record, ''braço de comunicação da igreja''. Disseram à PF que sua missão era ''escoltar'' o deputado João Batista Ramos da Silva e vigiar o dinheiro apreendido. Os documentos dos dois carros nos quais estavam os supostos seguranças estão em nome da Igreja Universal.
A reportagem tentou contatar a Universal no início da noite de ontem para falar sobre as prisões, mas ninguém atendeu às chamadas. Sobre as malas, eles soltaram uma nota (leia texto nesta página). Antes de chegar ao Congresso, em 2002, Ramos foi diretor-presidente da Rede Mulher de Televisão e da Rede Record. Economista e técnico em contabilidade, exerce seu primeiro mandato federal.
A PF determinou a apreensão do dinheiro e, na noite de ontem, informou que iria encaminhar o caso para o Supremo Tribunal Federal (STF) por envolver um deputado federal. Para a PF, o tribunal deve investigar se houve os crimes de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, crime contra a ordem tributária e contra o sistema financeiro.
O foco da suspeita está principalmente no fato de que o único documento apresentado pelo deputado para justificar a origem e a legalidade do dinheiro é uma declaração da igreja de que as notas foram colhidas como doações dos fiéis. O documento, no entanto, não informa o valor transportado. Nem o deputado sabia dizê-lo.
De acordo com a PF, Ramos e o Grupo viajariam para Goiânia e, na sequência, seguiriam para São Paulo num Citation 10, arrendado pela igreja por US$ 90 mil mensais. Considerado o jato civil mais veloz do mundo, essa aeronave tem capacidade para oito passageiros e custa cerca de US$ 17 milhões.

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