A Polícia Federal prendeu ontem, em Altamira (PA), principal reduto eleitoral do presidente licenciado do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), cinco pessoas acusadas de envolvimento em desvios de financiamentos da extinta Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). As prisões ocorreram em meio a uma operação sigilosa desencadeada desde a madrugada, envolvendo dezenas de agentes federais. A operação, comandada pelo delegado Hélbio Dias Leite, que preside o inquérito que apura fraudes na Sudam, começou com uma varredura em escritórios, residências e lojas da cidade, onde foram apreendidos milhares de documentos e até armas.

A PF pode realizar até 20 novas prisões no decorrer da operação, que não tem tempo de duração, segundo Leite que comanda uma equipe de quatro delegados e 22 agentes do Comando de Operações Táticas (COT), a tropa de elite da PF. A partir de hoje, os policiais começam a vasculhar 48 projetos que receberam financiamentos da Sudam e onde há suspeitas de irregularidades. ''Vamos analisar todos eles e, caso sejam descobertas fraudes, vamos indiciar os acusados'', afirmou Dias Leite.

A principal prisão foi de Regivaldo Pereira Galvão, o ''Taradão'', acusado de emprestar dinheiro para empresários pagarem propinas para receber os financiamentos. Segundo delegados que trabalham no caso, ele chefiava o ''custo Sudam'', uma caixinha para aliciamento de funcionários e políticos.

Os policiais estão verificando o envolvimento de Pereira Galvão com políticos locais, já que, pelo menos seis pessoas ligadas ao partido na cidade tinham financiamento da Sudam. ''Com certeza ele fazia parte de um grande esquema'', afirma Dias Leite. Outros dois empresários foram presos em Uruará e uma terceira pessoa detida em Belém.

A PF encontrou na residência de Pereira Galvão cerca de 200 cheques de valores variados, chegando até R$ 300 mil e uma grande quantidade de dólares e documentos de carros. Os policiais também fizeram uma busca no escritório e na casa do empresário Danny Gutzeit, que recebeu, junto com seu pai, financiamento para dois projetos da Sudam. Ele teria sido casado com uma parente de Jader.

Esta foi a primeira investida da PF em Altamira. A devassa podem trazer novos fatos relacionados ao senador, citado algumas vezes em depoimentos. Com a investida, a PF pretende encontrar documentos que provem o envolvimento de Jader e outros políticos em práticas de irregularidades. Para isso, os policiais vão dar garantias e segurança para os presos que estiverem dispostos a falar sobre o esquema.

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