Pouco antes do primeiro depoimento ontem à Justiça Federal, da servidora Rosimeire Barbosa, que é gerente de finanças da prefeitura, uma viatura da Polícia Federal com dois agentes estacionou em frente ao prédio da Justiça Federal. Os agentes permaneceram no local até o final dos depoimentos. A presença da polícia se deve ao pedido de prisão preventiva do ex-secretário da Fazenda Luis Antônio Paolicchi, pedido pela Procuradoria da República e acatado pelo juiz federal Anderson Furlan Freire da Silva.
Um dos advogados de Paolicchi, Moisés Zanardi, que acompanhou os depoimentos ontem, confirmou que o ex-secretário não deve se apresentar nos próximos dias. Nesta semana e na próxima, quando a Justiça Federal de Maringá passa por uma inspeção, Paolicchi não deve depor. ‘‘Nossa posição é que ele se apresente o mais rápido possível, mas a decisão é dele’’, voltou a alegar. Antes de iniciar os trabalhos, o juiz Anderson Freire da Silva, pediu para que a imprensa deixasse a sala.
Ele alegou que apesar da audiência ser pública, o processo cita o nome de muitas pessoas e empresas beneficiadas com cheques da prefeitura e que não podem ser expostos ao público. Depois do depoimento, o juiz manteve a mesma posição. O advogado de Corrêa, Osmar Fernandes de Medeiros, também não quis falar. O promotor José Aparecido da Cruz disse que Corrêa apenas confirmou ser funcionário de Paolicchi, e que obedecia ordens.
Cruz revelou ainda que o ex-prefeito Said Ferreira (sem partido), concordou em quebrar o sigilo bancário das contas pessoais e de duas empresas que possui. O Ministério Público terá acesso agora à movimentação de Ferreira durante as duas gestões dele como prefeito de Maringá. A primeira de 1983 a 1988 e a segunda de 1993 a 1996. O Tribunal de Contas vai analisar as contas de parte da primeira e de toda segunda administração de Said Ferreira. No final da segunda gestão, Paolicchi foi nomeado secretário de Fazenda de Maringá pela primeira vez.
Até ontem o juiz da 1ª Vara Cível de Maringá, Mário Seto Takeguma, não havia acatado o pedido do MP, de afastamento do prefeito Jairo Gianoto (PSDB) do cargo, indisponibilidade dos bens, envio de cópia para a Câmara para conhecimento e possível abertura de processo de cassação, além de suspensão dos direitos políticos. Gianoto conseguiu, na quinta-feira passada, que a Câmara aprovasse uma licença por tempo indeterminado, com o objetivo de se livrar do afastamento judicial. Ele alegou que não quer atrapalhar os trabalhos de auditoria que o TC realiza na prefeitura, a pedido do MP para levantar se existem mais desvios. (M.Z.)

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