Brasília - Sem alardes, a Polícia Federal (PF) fez uma operação de busca e apreensão na agência do Banco Rural, em Brasília, onde, segundo denúncias do presidente nacional licenciado do PTB, deputado Roberto Jefferson (RJ), seriam efetuados os pagamentos do ''mensalão'' a parlamentares. A equipe da PF, formada por dois delegados, dois peritos, dois agentes e um escrivão, chegou ao banco, que fica numa área de escritórios num shopping em Brasília, no fim da tarde de anteontem. Durante pouco mais de três horas, eles conversaram com funcionários e recolheram documentos relacionados à movimentação financeira do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza e das empresas dele, a DNA Propaganda e SMP&B.
Os delegados Pedro Ribeiro e Proxiteles Praxedes, que atuam nas investigações sobre o pagamento de mesada a deputados em troca de apoio ao governo, confirmaram a operação que teve um caráter sigiloso e, segundo eles, serviu para tentar obter documentos que comprovem o relatório encaminhado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O levantamento do Coaf aponta saques de quantias elevadas no Banco Rural em Brasília e Minas Gerais.
A PF quer identificar as pessoas que seriam as responsáveis pelo recebimento do dinheiro que seria pago aos parlamentares e cruzar as informações com as movimentações financeiras para confirmar se o empresário era mesmo o operador do esquema do ''mensalão''. Segundo as denúncias de Jefferson, alguns deputados iam pessoalmente à agência receber os recursos e, outros, mandavam assessores. Os investigadores da PF têm a relação de acesso ao prédio, uma vez que todos os que entram no edifício precisam se identificar na portaria.
Relatórios do Coaf mostrando os saques, em espécie, de quantias superiores a R$ 100 mil realizados no banco Rural estão em poder também da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Correios.

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